Resposta ao questionário aniquilacionista de Lucas Banzoli

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Meu objetivo com este texto é apresentar uma breve e introdutória explicação aos textos supostamente aniquilacionistas citados por Lucas Banzoli em seu “Questionário de Interpretação de Textos”. Quero lembrar que meu objetivo não é propriamente fornecer uma exegese dos textos, mas apenas explicações a título de introdução em resposta aos argumentos do aniquilacionismo banzoliano. Em alguns casos eu apenas copiei e colei refutações que apresento no artigo “Refutando o Aniquilacionismo”:

Refutando as Seitas - Parte 2 (Adventismo do Sétimo Dia)

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No artigo anterior foram analisadas as heresias do movimento jeovista, neste exporei as heresias da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É interessante que aqueles que não leram o primeiro artigo, o leiam para entender a definição de seita que está sendo adotada nesta série.

Embora alguns apologistas, tais como Walter Martin e Fernando Galli, considerem a Igreja Adventista do Sétimo Dia como parte do Cristianismo[1], na medida em que o Adventismo nega a doutrina clássica da Trindade, a inerrância e a inspiração exclusiva das Escrituras, torna o sábado um mandamento com significado soteriológico - escatológico central, além de possuir uma estranha doutrina da expiação, o movimento adventista deve ser classificado como uma seita herética, juntamente com os mórmons e Testemunhas de Jeová. Vejamos algumas das heresias da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as quais deixarão claro, não só os erros doutrinários do movimento, mas também que o Adventismo é uma seita perniciosa. 

Refutando o Aniquilacionismo

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Por algum tempo da minha vida, por influência do aniquilacionismo adventista[1], do aniquilacionismo russelita[2] e do Aniquilacionismo banzoliano[3], eu defendi a ideia de que a morte significa o término da existência (influência russelita) e de que o inferno era temporário, e não eterno (influência de Banzoli e dos adventistas). Não obstante, essa ideia está fundamentada em uma série de argumentações sustentadas sob a égide de pressupostos antibíblicos. Essas argumentações serão resumidamente apresentadas e respondidas neste artigo. Antes disso, porém, será feita uma apresentação breve e geral das bases bíblicas do imortalismo.

Domingo - o dia que o Senhor fez

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Por Pr. Edmar Cunha de Barcellos


Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118.24)

“Domingo, no Novo Testamento, é chamado de ‘O dia do Senhor’. Em latim, dominica die, de onde deriva seu nome nas línguas neolatinas, por exemplo: no espanhol, ‘domingo’; no italiano, ‘domenica’; e no francês, ‘dimanche’, faladas por cerca de 400 milhões de pessoas”. 

Domingo é um vocábulo exclusivo do cristianismo. Essa palavra, bem como as suas análogas, não existia em nenhuma língua do mundo até o final do século 1o, quando o apóstolo João criou a expressão grega: Kuriakh Hmera (kyriake hemera), vertida para o latim como: dominica die. 

Antigos documentos da Igreja primitiva, transcritos para o russo, relatam que João, encarcerado na ilha de Patmos, chorava muito ao chegar o primeiro dia da semana, ao lembra-se das uniões para a Ceia do Senhor, celebrada sempre nesse dia: “No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão...” (At 20.7). E foi justamente em um “primeiro dia da semana” que Jesus, ressuscitado, lhe apareceu e lhe revelou os maravilhosos eventos do Apocalipse (Ap 1.10).

Certamente que todo o livro não foi elaborado naquele mesmo dia. Mas o fato indiscutível é que Jesus apareceu a João exatamente no “primeiro dia da semana”. Isso explica porque a Ucrânia e a Rússia trocaram os nomes do primeiro dia da semana, que entre os pagãos era chamado “dia do sol”, por uma expressão tão ou mais significativa do que aquela adotada nos países de línguas neolatinas. 

Lemos na Bíblia ucraniana João afirmando que foi arrebatado no “dia da ressurreição” (Dien voscrecii). De igual modo, na Bíblia russa também lemos: “Eu fui arrebatado em espírito, no dia da ressurreição”. Aliás, na língua russa, todos os dias da semana ficaram subordinados ao dia da ressurreição! Por exemplo: segunda-feira, em russo, é pondielnik (“o dia após a ressurreição”); terça-feira, voftornik (“o segundo dia após a ressurreição”); quarta-feira, sreda (“terceiro dia após a ressurreição”), e assim por diante. 

Vale realçar que o apóstolo João, ao frisar o dia da semana em que Jesus lhe apareceu, criou uma nova expressão na língua grega: Kuriakh hmera (kyriake hemera). Expressão esta que deu origem à palavra “domingo”, conforme explanaremos a seguir. Mas antes de continuarmos, para melhor compreensão dos nossos argumentos, recorreremos à etimologia, que nos revelará a origem das palavras, o seu desenvolvimento histórico e as possíveis mudanças de seu significado.

Vejamos alguns exemplos de como as palavras evoluem:

• A palavra “efeméride” provém de dois termos gregos: epi (“sobre”) e ‛he hemera, que significa “dia”, de onde veio também o adjetivo efêmero, ou seja, “o que é breve, transitório, passageiro”.

• A palavra “castigar” provém do latim: castus (“irrepreensível”, “puro”, “fiel”) + agere (“fazer”). Temos um emprego bíblico neste sentido quando o escritor aos hebreus declara que Deus “castiga a quem ama” com a finalidade de nos tornar puros e fiéis a Ele (Hb 12.6).

• As palavras “mouco” (ou surdo) e “domingo” possuem também sua origem num texto de João. Vejamos: “Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco” (Jo 18.10). Malcus, do latim, deu origem à palavra “mouco”, em português, significando aquele que não ouve, ou que ouve pouco ou mal; surdo.

Analisemos, agora, Apocalipse 1.10 à luz do original grego, da etimologia, da hermenêutica bíblica, da história e dos escritos patrísticos. 

Eis o que os mais abalizados biblicistas afirmam sobre a expressão joanina: kyriake hemera:

“Temos aqui a palavra kyriakos, em um sentido adjetivado, isto é, “pertencente ao Senhor”. Originalmente, esta palavra era usada com o sentido imperial, como algo que pertencia ao César romano. ‘Os crentes primitivos [...] aplicaram-na ao domingo, o primeiro dia da semana’. Esse é o uso que se encontra em Didaché 14 e Inácio, Magn. 9, que foram escritos não muito depois do Apocalipse”. 

“‘O dia do Senhor’, em Apocalipse 1.10, é tido pela maioria dos autores como o domingo”. 

“O primeiro dia da semana é, sem dúvida. ‘o dia do Senhor’, referido em Apocalipse 1.10”. 

“A frase: ‘O dia do Senhor’, Kuriakh ‛mera (kyriake hemera), ocorre uma só vez, e isto se dá no último livro. Apocalipse 1.10 [...] expressava a convicção de que o domingo era o dia da ressurreição, quando Cristo Jesus conquistou a morte e se tornou Senhor de todos” (Ef 1.20-22; grifo do articulista). 

Nem mesmo no texto grego da Septuaginta encontramos a expressão Kuriakh‛mera, criada pelo apóstolo João para aludir ao dia da ressurreição! A expressão hebraica “dia do Senhor” sempre foi vertida para o grego como ‛ (hemera tou kyriou). Mas o que João escreveu foi: Kuriakh ‛mera. Por que João teria usado uma expressão jamais encontrada em qualquer outro escrito, sagrado ou profano? Cremos que pelas seguintes razões:

1) Para indicar algo também inédito na história da humanidade: a ressurreição de Cristo.

2) Para deixar bem claro que se referia ao dia da ressurreição, o domingo, e não aos eventos escatológicos da segunda vinda de Cristo, a parusia, que também é chamada “dia do Senhor”, como nestes versículos: 

a) “O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor” (At 2.20).

b) “... Seja entregue para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5.5).

c) “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (1Ts 5.2).

d) “Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (2Pe 3.10).

Há uma significativa diferença entre a expressão “dia do Senhor”, alusiva à segunda vinda de Cristo, e a expressão que encontramos escrita em Apocalipse 1.10, “dia do Senhor”, referindo-se ao dia da ressurreição.

Kyriakos é uma forma adjetivada da palavra KurioV (Kýrios – Senhor) e significa literal e exatamente: “que diz respeito ao Senhor”; “concernente ao Senhor”; “pertencente ao Senhor”; “senhorial”, ou “dominical”, e não “do Senhor”, como lemos em algumas das nossas traduções.

A tradução literal de Apocalipse 1.10 seria: “Eu fui arrebatado pelo espírito no dia senhorial”. Mas este adjetivo, “senhorial”, derivado do termo “senhor”, raramente é usado. O seu sinônimo é “dominical”, porque o português é uma língua neolatina. “Senhor”, em latim, é Dominus. Assim, quando dizemos Dom Pedro II ou Dom Evaristo Arns, estamos abreviando a palavra Dominus, para dizer: Senhor Pedro II, Senhor Evaristo Arns. O mesmo processo etimológico acontece com o adjetivo “popular”. Quando algo pertence ao povo, não dizemos “povoal”, mas “popular”, porque, em latim, populus, significa “povo”.

Acertadamente, Jerônimo verteu Kuriakh ‛mera (kyriake hemera) para a Vulgata Latina como Dominica die (“dia dominical”, “domingo”) e não como dia domini (“dia do Senhor”). Veja:

Fui in spiritu in dominica die et audivi post me vocem magnam tamquam tubae”(Ap 2.10). 

Daí, a clássica versão de Antônio Pereira de Figueiredo traduzir: “Eu fui arrebatado em espírito hum dia de domingo, e ouvi por detrás de mim huma grande voz, como de trombeta” (1819). 

Resgatando verdades históricas

Documentos escritos nos três primeiros séculos, muito antes de Constantino existir (280-337), adotaram e conservam, todos eles, a mesma expressão concebida pelo apóstolo João para referir-se ao glorioso dia da ressurreição de Jesus Cristo.

Século 1º: O ensino dos apóstolos

Possivelmente, contemporâneo do Apocalipse: “E no dia do Senhor Kyriake hemera, congregai-vos para partir o pão e dai graças”. 

Século 2º : Escritos de Melito de Sardes

Nestes escritos, há um tratado sobre a adoração no domingo, intitulado: peri kyriakes (acerca do dia dominical), “dia do Senhor”, isto é, “domingo”. 

Ano 115: Epístola de Inácio aos magnesianos

“Porque se no dia de hoje vivermos segundo a maneira do judaísmo, confessamos que não temos recebido a graça [...] Assim pois, os que haviam andado em práticas antigas alcançaram uma nova esperança, já sem observar os sábados, porém modelando suas vidas segundo o ‘dia do Senhor’ (Kyriaken zontes)”. 

Ano 130: O “evangelho de Pedro”

É um documento histórico comprovadamente escrito no princípio do século 2o, e também se refere ao dia da ressurreição usando o mesmo adjetivo kyriakes, que, na edição de Jorge Luís Borges, é traduzido corretamente por “domingo”. 

Ano 132, ou antes: Epístola de Barnabé

“Portanto, também nós guardamos o oitavo dia ( Kyriake hemera, ‘domingo’) para nos alegrarmos em que também Jesus se levantou dentre os mortos e, havendo sido manifestado, ascendeu aos céus”. 

150—168: Justino Mártir, Eusébio, Clemente de Alexandria

Escritores dos séculos 2º e 3º, todos eles também adotaram o Kyriake hemera criado por João para o “dia da ressurreição”, vertido para o latim como Domínica die (“dia dominical”) e passado para o português como “domingo”! 

A singularidade do nome domingo

E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana...” (Mc 16.9).

Alguns alegam que a palavra “domingo” não consta na Bíblia. É verdade. Não encontramos nos textos originais a palavra portuguesa “domingo”, como também não encontramos as palavras: Deus, casa, livro, amor ou sábado, mas, sim, as suas correspondentes nas línguas hebraica, aramaica ou grega.

Domingo é a tradução literal da expressão criada pelo apóstolo João: Kuriakh ‛mera (kyriake hemera), vertida para o latim como Domínica die e corretamente traduzida em todas as versões da Vulgata para as línguas neolatinas como dominu lui, domingo, mingo, domenica, dimanche, e outros nomes semelhantes no galego, no provençal, no franco-provençal, no romeno, no reto-romano, no sardo e no dalmático, faladas por mais de 400.000 000 de pessoas!

As seguintes traduções: de Antônio Pereira de Figueiredo, do Centro Bíblico Católico, dos Monges de Maredsous, de João José Pedreira de Castro, do dr. José Basílio Pereira, do Mons. Vicente Zioni e Matos Soares, bem como qualquer outra versão do Novo Testamento para o português ou para o espanhol, feita da Vulgata Latina, trazem em Apocalipse 1.10 a palavra “domingo”.

Domingo não é um nome importado do paganismo, como saturday (“dia de Saturno”), nem do judaísmo, como shabath (“descanso”). 

Domingo não é dia comemorativo da criação do mundo nem da libertação do povo de Israel, tampouco dia de descanso, pasmaceira, televisão, futebol, pescarias, clubes ou jogatina.

Domingo é dia de oração, de adoração, dia de cultuarmos a Deus, dia de atividade espiritual, como evangelismo, visita aos necessitados, aos encarcerados ou enfermos!

Domingo é o nome de um dia exclusivo do cristianismo, criado por João para caracterizar e distinguir o dia da vitória de Jesus sobre a morte, consumando a libertação de toda a humanidade.

Domingo é o dia aclamado por Davi, em sua jubilosa profecia sobre o dia da ressurreição: “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão. Louvar-te-ei, pois me escutaste, e te fizeste a minha salvação. A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o SENHOR; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele” (Sl 118.20-24).

Observemos a exatidão do cumprimento de cada sentença, de cada afirmação, de cada palavra desta impressionante profecia escrita por volta de mil anos antes de Jesus nascer.

Esta é a porta

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9).

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2.18).

A pedra

Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (At 4.11).

Os edificadores rejeitaram

Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21.42,43).

Da parte do Senhor se fez isto

O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro” (At 5.30).

Maravilhoso é aos nossos olhos

Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela” (At 2.24).

Este é o dia que fez o SENHOR

E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro” (Mt 28.1).

E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol” (Mc 16.2).

E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas” (Lc 24.1).

E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro” (Jo 20.1).

Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (Jo 20.19).

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até a meia-noite” (At 20.7).

No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar" (1Co 16.2).

Regozijemo-nos, e alegremo-nos nele

Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo 16.22). 

Regozijai-vos sempre” (1Ts 5.16).

Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4.4).

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Notas:
- Enciclopédia Encarta 99. 1993-1998 Microsoft Corporation, sobre o verbete: domingo.
- Patrísticos. Escritos dos proeminentes líderes cristãos dos primeiros séculos, também chamados “pais da Igreja”.
- Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora e distribuidora Candeia, 1991, vol. 2, p. 213.
- HENRY Mattthew. Comentário Bíblico. Editorial Clie (Barcelona),1999, p.1924-c
- PETTINGILL William D.D. Bible Questions Answered, p.177. “The first day of the week is doubtless ‘the Lord’s day’ refereed to in Ap 1.10”. Zondervan Publishing House, Ninth Printing, Michigan, 1974.
- ELWELL A. Walter. Enciclopédia Histórica Teológica da Igreja Cristã. Soc. Religiosa Edições Vida Nova, 1988.
- Septuaginta, Versão dos LXX, ou Alexandrina, é uma tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego feita em Alexandria, a mando de Ptolomeu II (Filadelfo) (284-247 a.C.). Alguns livros não pertencentes ao cânon judaico foram incluídos nessa versão: (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, I e II Macabeus, e acréscimos aos livros de Ester e Daniel). Jerônimo verteu para a Vulgata Latina, explicando que tais livros não pertenciam às Escrituras Sagradas judaicas. Mas o Concílio de Trento, em 1548, os anexou ao Antigo Testamento, classificando-os como “Deuterocanônicos”. Para os judeus, e para os evangélicos, porém, continuam sendo “apócrifos”, úteis apenas como subsídios ao estudo da história e da cultura judaica, mas sem a autoridade dos livros canônicos, inspirados por Deus.
- IUXTA VULGATAM VERSIONEM Robertus Weber, Editio Altera Emendata, Stuttgart,1975.
- Primeira edição completa da Bíblia Católica. Lisboa, MDCCC XVIIII. Na Officina da Acad. R. das Sciencias com licença da Meza do Desembargo do paço e privilégio.
- (Didaché Ton Apostollon). O Ensino dos Apóstolos, XIV. Libros Clie. Barcelona, Espanha.
- R.N.Chaplin & J.M. Bentes. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 1991, vol. 2, p.213.
- IGNÁCIO. (Pros tous magnesiai). Aos magnesianos IX.
- Evangelios Apócrifos. Vol. 1, p.323-5. Hyspamérica ediciones S.A.Santiago, 12. 28013 Madrid, 1985.
- Epístola de Barnabé, 15. LIGHTFOOT, J. B. Los Padres Apostólicos, p. 299-301- Libros Clie. Barcelona, Espanha.
- R.N.Chaplin & J.M. Bentes. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 1991, vol. 2, p. 214.

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Fonte: ICP
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Ellen G. White falou a verdade? O testemunho dos Pais da Igreja

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Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


Evidências históricas anteriores à Constantino 

Sem recorrermos ao Novo Testamento como prova histórica,[1] é possível evidenciar documentalmente que os cristãos observaram o primeiro dia da semana desde os seus primórdios? Devemos recordar que o argumento de Ellen G. White é que o abandono do sétimo dia para a guarda do domingo somente ocorreu em 321 d.C. quando Constantino promulgou a “Lei Dominical”. Leiamos o que registraram os pais da Igreja, nos séculos que antecederam à Constantino, e a nossa conclusão poderá descansar sobre o firme alicerce da verdade. 

Didaquê 

O mais antigo manual de preparação de batismo e discipulado da Igreja Cristã (80-90 d.C.) conhecido por Didaquê instrui como deveria ser a vida comunitária. A orientação era de que “reúnam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacríficio de vocês seja puro.”[2] A expressão dia do Senhor, em grego kuriakê heméra e, em latim Dies Domini tornou-se o termo para indicar o primeiro dia da semana, a que chamamos de Domingo, o dia em que o Senhor ressuscitou! 

Inácio de Antioquia 

Inácio de Antioquia em sua Carta aos Magnésios (110 d.C.) declara que 

aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre.[3]

A sistematização doutrinária exposta por Inácio aponta para a transição da antiga para a nova aliança. Esclarece que a ressurreição de Cristo é a causa da descontinuidade e acomodação para a nova ordem, e, isto inevitavelmente envolve a mudança do dia de descanso do sétimo para o primeiro dia da semana, inaugurando uma nova era. 

Plínio “o jovem” 

Conhecido por ser justo em seus julgamentos, Plínio “o jovem”, segundo o seu relato, procurava através de tortura e questionamentos descobrir o grau de culpabilidade do réu. Num período em que o imperador romano Trajano exigia a prisão, tortura, e dependendo do caso a pena de morte dos cristãos, e, neste contexto Plínio escreve uma carta questionando do motivo de prender e executá-los, se neles nenhum motivo de culpa era encontrado. Em 113 d.C., o relator descreve que os cristãos, sob tortura, confessaram que “unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo como a um deus...”.[4] 

O testemunho do governador pagão expressou admiração com o costume cristão. Não havia nada de absurdo, nem ofensivo naquela religião. A menção de determinados dias confirma que as suas reuniões seguiam uma norma semanal, e que antes do amanhecer se reuniam. 

A carta a Diogneto 

O desconhecido escritor da Carta a Diogneto afirma que “não creio que tenhas necessidade de que eu te informe sobre o escrúpulo deles a respeito de certos alimentos, a sua superstição sobre os sábados...”.[5] Em 120 d.C., o contraste entre cristãos e judeus estava estabelecido, de modo que a guarda do sétimo dia era visto pelos cristãos como sendo uma superstição judaica, e não como algo normativo para a Igreja. 

A carta de Bárnabé 

Um importante documento histórico apresenta alguns traços do Cristianismo do século II. A “carta de Barnabé” não tem autoria certa, mas pelo seu conteúdo a crítica literária especializada em patrística é de consenso datá-la entre 134-135 d.C.. O autor interpreta o significado do sábado. Ele declara que 

vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.[6]

O seu conteúdo é abertamente contrário aos sistemas judaizantes. Nesta interpretação acerca do sábado, o autor contrasta entre o entendimento do Judaísmo e o Cristianismo. 

Justino de Roma 

O apologista cristão expressou que “no dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas.” Noutro lugar ele continua


celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame.[7]

A preocupação de Justino não era de firmar novas doutrinas, mas apenas de expor aos seus inquisitores o que era crença e prática tradional dentro do Cristianismo. A sua I Apologia é datada em 155 d.C. apontando para a proximidade da era apostólica, um período de pureza na fé cristã. 

Irineu de Lião 

Enquanto Justino defendia os cristãos diante dos governadores pagãos, Irineu se dedicava a atacar as heresias que brotavam dentro do Cristianismo. Irineu como apologista analisava os desvios doutrinários que haviam se infiltrado dentre os cristãos. Especificamente para o nosso propósito selecionamos os heréticos que se nomeavam ebionitas,[8] que segundo Irineu eles “praticam a circuncisão e continuam a observar a Lei e os costumes judaicos da vida e até adoram Jerusalém como se fosse a casa de Deus.”[9] Além de negar a salvação somente pela graça e a sua suficiência em Cristo, os ebionitas ensinavam uma redenção por meio da obediência da lei. Dentre os “costumes judaicos da vida” incluíam a prática de guardar o sétimo dia. Eles não entenderam a cessação dos aspectos civis da lei, nem o seu cumprimento cerimonial em Cristo, de modo que, persistiam em exigi-los como complemento da salvação, e nisto consistia a sua heresia. O livro Contra as Heresias é datado entre 180 a 190 d.C.. 

Tertuliano 

No início do século III os cristãos demonstravam desprezo pelos costumes judaizantes. Em seu livro Da Idolatria, escrito entre os anos 200 e 210 d.C., Tertuliano declara que “não temos praticado os Shabbats ou, outras festividades judaicas, do mesmo modo que evitamos as práticas pagãs.”[10] A sua afirmação esclarece que, tanto a idolatria quanto práticas judaicas, eram evitadas no mesmo pé de igualdade. Não há dúvidas de que o descanso cristão no fim do século II era marcadamente o domingo, da mesma forma que o exclusivismo cristão testemunhava contra pagãos e judeus! 

Conclusão 

As evidências exigem um veredicto! A declaração da senhora Ellen G. White é insustentável por causa da ausência de fontes e de provas. A verdade está contra ela, pois todo testemunho histórico aponta para a celebração do primeiro dia da semana como sendo o santo dia de descanso, de comunhão e de celebração dos cristãos primitivos que antecederam a “Lei Dominical” de Constantino. 

Todos os editos e leis foram promulgados para que os seus súditos incentivados por benefícios civis adotassem a religião cristã. O império romano estava se adaptando ao Cristianismo e não o contrário. Assim, o primeiro dia da semana tornou-se descanso civil, por ser tradicionalmente desde o final do primeiro século um dia reservado para o culto cristão. 

Evidências históricas apontam para o favorecimento do imperador romano para o Cristianismo. O que vimos foi que a Igreja no período da Patrística não somente evitava a guarda do sétimo dia, mas desprezava-a como sendo superstição, idolatria e heresia judaizante! Não há no puro Cristianismo nenhum grupo, em nenhum lugar e período que celebrasse o sábado como o dia cristão. 


Notas: 
[1] Deixo esclarecido que aceito a plena inerrância e historicidade do Novo Testamento. Apenas não recorrerei a textos do NT para evitar uma discussão exegética, mantendo-me apenas na análise histórica extrabíblica. Aqueles que têm alguma dúvida quanto à historicidade do NT sugiro a leitura de Eta Linnermann, Crítica Histórica da Bíblia (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2009). Embora tenha pronto a argumentação bíblica, aqui será exposto apenas as evidências históricas. 
[2] Didaquê in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 357. 
[3] Inácio de Antioquia – Epístola aos Magnésios – Padres Apostólicos in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 94. 
[4] Henry Bettenson, ed., Documentos da Igreja Cristã (São Paulo, ASTE, 4ªed., 2001), págs. 29-30. 
[5] Carta a Diogneto – Pais Apologistas in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 2, pág. 21. 
[6] Carta de Barnabé – Pais Apologistas in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 311. 
[7] Justino de Roma, I Apologia in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 2ªed., 1995), vol. 3, págs. 83-84. 
[8] Sabe-se que “eram judeus que aceitavam Jesus como o Messias ao mesmo tempo em que continuavam a afirmar que Paulo era um apóstota da lei, negavam o nascimento virginal, praticavam a circuncisão, observavam o Sábado, a Páscoa e outras festividades judaicas”. Robert G. Clouse, et. al., Dois reinos (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2003), pág. 33. 
[9] Irineu de Lião, Contra as Heresias in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 2ª ed., 1995), vol. 4, pág. 108. 
[10] Tertulian, On Idolatry in: Ante-Nicene Fathers, vol. 3, pág. 70 citado em G.H. Waterman, Sabbath in: The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids, Zondervan Publishing, 1977), vol. 5, pág. 187. Este pai da Igreja é conhecido por causa da sua ortodoxia trinitária. O termo “Trindade” foi cunhado por ele, e Philip Schaff concede-lhe o título de fundador do Cristianismo Latino. 

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Resposta a Leandro Quadros

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Por Rev. Ageu Magalhães

Apresentação

Dos dias 6 a 10 de Maio deste ano foi realizada a 1ª Semana Teológica de 2013, em nosso Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição. O tema da semana: Apologética e Evangelização. Os temas e preletores foram:

Dia 06 – Islamismo – Rev. Raimundo Montenegro
Dia 07 – Kardecismo – Pr. Paulo Romeiro
Dia 08 – Adventismo – Ev. Luciano Sena
Dia 09 – Ateísmo – Rev. Augustus Nicodemus
Dia 10 – Mormonismo – Pr. Paulo Romeiro

A semana foi muito edificante. Em todas as noites nossa capela ficou cheia. Entre os visitantes, havia pessoas de outras religiões, incluindo adventistas. Filmamos as palestras e as disponibilizamos gratuitamente em nosso Canal do Youtube.

No dia 08 de Agosto recebi o telefonema do jornalista adventista Leandro Quadros, questionando a palestra sobre Adventismo e criticando as fontes utilizadas pelo preletor, o Ev. Luciano Sena. Pediu-me um endereço de e-mail para enviar a crítica por escrito e, no mesmo dia, eu recebi a comunicação.

Encaminhei o e-mail ao preletor, para que analisasse a procedência das críticas. Três dias depois o Ev. Luciano Sena respondeu o e-mail com vários argumentos demonstrando a exatidão do que havia exposto em sua palestra. Seguindo Lamentações 3.30 “farte-se de afronta” e 2 Timóteo 2.24 “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender...” guardei a resposta esperando que Leandro Quadros esquecesse o assunto. No dia 26 de Agosto recebi novo e-mail do jornalista cobrando a resposta e, no mesmo espírito dos textos acima, respondi tão somente: “Caro Leandro Quadros, li e consultei o preletor sobre as suas objeções. Para cada argumento seu, ele tem contra argumentação bem plausível. Um abraço, Ageu”. Na sequência recebi sua resposta dizendo, dentre outras coisas: “... divulgarei a resposta com citações para os milhares telespectadores que tenho – e que já conhecem o uso que ele faz de tais fontes. Pena que, desse modo, a Instituição também será envergonhada, pois, postou o referido vídeo e julgou o uso das fontes como ‘apropriado’.”

Foi feito como prometido. Dois dias depois Leandro Quadros publicou suas críticas no seguinte link: http://novotempo.com/namiradaverdade/o-sentimento-antiadventismo-e-a-imprecisao-academica/

O artigo publicado fez várias referências ao nosso Seminário e foi seguido por diversos comentários ofensivos, por parte dos visitantes daquele site. 

Como tentamos evitar a polêmica, mas o silêncio começou a aparentar desobediência a 1Pe 3.15 “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”, publico abaixo a resposta do Ev. Luciano Sena às críticas de Leandro Quadros na esperança de que os leitores vejam por si próprios quem está labutando em erro.



Rev. Ageu Magalhães
Na direção do Seminário JMC


***

Resposta a Leandro Quadros
Ev. Luciano Sena

Essa é minha resposta ao post do Leandro sobre a minha palestra no JMC. Para ser didático e objetivo minhas respostas estarão intercaladas ao que ele escreveu. 

"Introdução: 
Preferiria não disponibilizar esse post a você, amigo (a) leitor (a). Afinal, quando conseguirmos solucionar uma disputa entre irmãos seguindo o conselho de Jesus em Mateus 18:15-17, Deus é honrado, relacionamentos são preservados e novas amizades podem corar de alegria nossas vidas.”

Quem conhece um pouco de Adventismo sabe bem a maneira como Leandro chama o Ageu de irmão. Em uma perspectiva positiva, Ageu é um “irmão” que recebeu pouca luz da verdade Adventista, mas se após um bom contato com a verdade do Adventista permanecer desobedecendo receberá a marca da besta em sua testa. Especialmente porque o Reverendo Ageu, que é um pastor presbiteriano, é, na visão deles, de  uma igreja “filha de babilônia” defensora do Domingo, da marca da besta bem como da Predestinação Calvinista, da imortalidade da alma e do inferno. Leandro Quadros poderia lembrar-se de que já chamou tais doutrinas de diabólicas, e os que as ensinam são hereges, difundindo ensinos distorcidos e demoníacos: 

“Minha nova atividade como pai tem sido uma bênção em minha vida de modo que tenho passado mais tempo com minha filha do que com os hereges. E não poderia ser diferente, não acha? Porém, tive que voltar a escrever sobre a diabólica doutrina calvinista por que Clóvis, moderador do blog Cinco Solas, extrapolou em sua ignorância.” (Veja aqui)

Um tiro no próprio pé

Leandro Quadros escreveu, acertadamente, que fui “Testemunha de Jeová por pouco mais de oito anos. Ou seja: um oponente à doutrina da Trindade.”

Todavia, ele se engana quando diz: “Não seria conveniência de Sena julgar o passado de pioneiros adventistas sendo que o passado dele não foi muito diferente? Medite nisso, amigo (a) leitor (a).”

O que ele ignora é que os pioneiros adventistas, os “restauradores da verdade”, não abandonaram o antitrinitarianismo, como veremos a seguir. Eles morreram negando a Trindade! Sem arrependimento, sem repreensão de Ellen White, sem correção da igreja.

“1º: Mesmo havendo um predomínio do antitrinitarianismo no adventismo entre 1846-1888, em 1869 Roswell F. Cottrell observou que nesse período existia “uma multidão de pontos de vista” sobre a Trindade. Isso significa que qualquer argumento que sugira que ‘todos’ os pioneiros eram antitrinitarianos, é um argumento mentiroso.”

Em seu blog, em defesa do Espírito Santo, Leandro Quadros escreveu:

“Deve-se também ressaltar que a declaração de Daniel T. Bourdeau em 1890 mostra-nos que nem todos eram unânimes no antitrinitarianismo: "Embora afirmemos ser crentes e adoradores de um único Deus, tenho chegado a pensar que entre nós existem tantos deuses quantas são as concepções da Divindade". (veja aqui)

Parece que Quadros não vê problema em seus pais pioneiros terem tido tanta divergência sobre a Trindade. O predomínio do antritrinitarianismo por 42 anos não pode ser simplificado desta maneira, pois essa celeuma arrastou-se por várias décadas. Além disso, não são os pais pioneiros do Adventismo chamados de “restauradores da verdade”? Não é Ellen White reconhecida por eles como “o espírito da profecia”? Porque todos eles, detentores da verdade e da profecia não viram erro tão grasso?

Hoje, Leandro Quadros não vê com bons olhos quem rejeita a Trindade. Para ele, a doutrina da trindade é muito clara na Bíblia, rejeitar essa doutrina pode ser perigoso para a salvação do individuo, pois João 17.3 afirma que conhecer a Deus vai determinar nosso destino eterno (veja aqui).

Ademais, em minha palestra não disse que todos os pioneiros foram anti-trinitarianos. No vídeo, em 11:09 o slide mostra “Muitos líderes do grupo nascente eram ferrenhos opositores da Doutrina da Trindade”. Depois, em 11:38, eu disse que “várias pessoas e líderes” do grupo nascente eram contra a doutrina.

2º: Eles rejeitavam veementemente (mesmo sem ter a plena compreensão da doutrina) era a doutrina da Trindade como apresentada pelos credos cristãos da época, especialmente um credo Metodista de 1856, que dizia o seguinte: “[...] existe um único Deus vivo e verdadeiro, sempiterno, sem corpo ou partes [...]” (Citado em A Trindade…, p. 234).  Eles não rejeitavam a importância da doutrina de Deus manifesto em Três Pessoas (mesmo crendo no Espírito como sendo o “poder de Deus”), mas a doutrina Tradicional da Trindade que continha elementos não bíblicos supracitados e que são negados até hoje pelos adventistas e por qualquer outra denominação Protestante e Trinitariana.” 

A grande questão aqui é: Onde está o erro na declaração do credo Metodista citado? Deus não é sempiterno, sinônimo de eterno? Deus tem corpo? Deus tem partes? Desconfio que Leandro esteja confundindo “partes” com “pessoas”. O fato de a Trindade ser formada por 3 pessoas, não significa que ela tenha “partes”. Isso mostra a má compreensão que o adventista possui sobre a doutrina da Trindade.

O que o credo Metodista afirma é bem semelhante ao que a Confissão de Fé de Westminster (1646) diz: “I. Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões”

Qual erro tradicional em torno da doutrina da trindade que existia na época que não existe mais hoje? O livro diz:

“A única maneira de os pioneiros, em seu contexto, efetivamente separarem as Escrituras da tradição foi pelo abandono de qualquer doutrina que não pudesse apoiar-se unicamente na Bíblia. Assim, eles inicialmente rejeitaram a doutrina tradicional da Trindade, a qual claramente contém elementos não pertencentes às Escrituras. À medida que prosseguiram trabalhando com base nas Escrituras, periodicamente desafiados e estimulados pelo Espírito Santo através das visões de Ellen White, gradualmente convenceram-se de que o conceito básico de um Deus em três pessoas de fato aparece nas Escrituras." WHIDDEN, Woodrow, Jerry Moon, John W. Reeve.  A Trindade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, p. 230.

“Agora, após esses breves esclarecimentos, veja a seguir o e-mail em que demonstro, com base em fontes primárias, as distorções de Luciano Sena, do Ministério Cristão Apologético, e que, infelizmente, foram tidas como “plausíveis” pelo Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição.” 

Como foi demonstrando na palestra eu utilizei fontes primárias e secundárias, a saber, “O Grande Conflito” (Ellen White), “Nisto Cremos: Crenças Fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia” (Casa Publicadora Brasileira – Adventista), “Respostas a Objeções” (Francis D. Nichol - adventista), “Uma Nova Era segundo as Profecias de Daniel” (C. Mervin Maxwell – adventista), “1844: Uma explicação simples das profecias de Daniel” (Clifford Goldstein - adventista) e “Crenças Fundamentais” (Casa Publicadora Brasileira - adventista). Citei Samuele Bacchiocchi (adventista) bem como Leandro Quadros. Ademais, citei Carl Josson, Antony Hoekema, Louis Berkof, Van Groningen, a Confissão de Fé de Westminster, Comentários e Bíblias de Estudos. Documentei 90% das informações passadas, o que creio, foi satisfatório dentro do período de 1 hora da palestra.

Mas, esse não é ponto. Quando Leandro Quadros fala de fontes primárias não se refere a livros adventistas apenas, mas a livros que promovam o Adventismo, concordando com seus posicionamentos.

“1º: Luciano afirma que “os problemas que os adventistas enfrentam para justificar 1844 são parecidos com o problema das TJ quanto à data de 1914”. Se o referido palestrante conhecesse a série abalizada de 7 volumes sobre a Teologia Adventista do Santuário Celestial, jamais faria uma afirmação dessas. Nessa coleção preparada pelo Comitê de Daniel e Apocalipse do Biblical Research Institute da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, publicada pela primeira vez em língua inglesa em 1993, é possível perceber que a base para a crença adventista na interpretação de Daniel 8:14 são estudos exegéticos realizados por eruditos adventistas reconhecidos no meio protestante como os doutores William Shea, Hans K. LaRondelle e Kenneth A. Strand (entre outros). Portanto, não há qualquer tipo de “rearranjo” que possa ser comparado aos estudos das Testemunhas de Jeová. Tal “comparação” é tendenciosa e não condiz com a verdade.”

Obviamente o registro histórico sobre o caso “1844” não está apenas nessa obra adventista. William Miller seguiu uma interpretação popular de que Dn 8.14 teria cumprimento em acontecimentos escatológicos? Citei a obra de Jonsson “Os Tempos dos Gentios Reconsiderados” mostrando que a tradição de interpretar Dn 8.14 da maneira que Miller o fez era antiga, e que ele seguiu cálculos judaicos, místicos. Segui a conclusão de Jonsson de que John Áquila Brow é o pai dos cálculos adventistas. Tais foram as bases que levaram os adventistas posteriores, como Nelson Balbuor, a usar Dn 4.24 como se cumprindo em 1914, o que fez também Charles Russel, o fundador das Testemunhas de Jeová.

O fato de hoje existir doutores adventistas, que “defendem exegeticamente” Daniel 8.14 como tendo o seu cumprimento em 22 de outubro de 1844 não impressiona. É erudição a trabalho da seita. A maioria esmagadora de eruditos evangélicos não endossa a absurda interpretação adventista.

“A crença adventista na interpretação de Daniel 8:14 são estudos exegéticos realizados por eruditos adventistas reconhecidos no meio protestante como os doutores William Shea, Hans K. LaRondelle e Kenneth A. Strand (entre outros).”

Pergunto a você que é evangélico, protestante: já ouviu falar em algum destes eruditos? Não ouviu porque não são reconhecidos do mundo protestante - são adventistas.

Hoje Adventistas com Daniel 8.14 e Testemunhas de Jeová com Daniel 4.24, estão sozinhos em seus esquemas escatológicos. Como Jesus não voltou em 1914, os Testemunhas de Jeová redefiniram sua volta de maneira invisível, no céu. Como Jesus não voltou em 1844, os Adventistas redefiniram sua volta para dentro do santuário, no céu. Percebeu semelhança?

“2º: Ele também argumenta que “os pioneiros adventistas eram antitrinitarianos”. A forma como a informação foi apresentada é bastante tendenciosa e, se ele houvesse feito uma consulta à obra A Trindade: como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo, na 3ª seção intitulada “Trindade e Antitrinitarianismo da Reforma ao Movimento Adventista”, ele saberia que, mesmo pioneiros adventistas sendo antitrinitarianos por serem oriundos da Conexão Cristã, o antitrinitarianismo predominou entre 1846 e 1888. Após essa data, o adventismo viveu mais quatro fases, até a mudança de paradigma entre os anos de 1898 e 1915, tendo Ellen White como a maior expositora da doutrina Trinitariana. Por isso, a afirmação de Luciano de que “não se sabe se Ellen G. White era Trinitariana” é absurdamente infundada, especialmente à luz de citações dela em O Desejado de Todas as Nações, publicado em 1898, p. 19 e 530, onde ela fala da pré-existência de Jesus Cristo e inclusive afirma: “Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada” (p. 530). Além disso, Luciano desconhece por completo (ou ignorou) as citações Trinitarianas da referida autora na obra Evangelismo, p. 615-617, onde ela menciona das “três pessoas vivas pertencentes ao trio celeste” e apresenta o Espírito Santo como uma Pessoa Divina. É muito estranho que um palestrante ignore o todo da história e fontes primárias importantes para “provar” que se “a base do adventismo é herética, então todo o resto o é”. O Reverendo e eu sabemos que mudanças de paradigmas, mais do que indicar ‘heresia acompanhada de desonestidade’, indicam crescimento e, no meio acadêmico e científico esse espírito é vital para aqueles que seriamente se comprometem com a busca pela verdade.”

Respondo: Em 1846, Tiago White descartou a doutrina da Trindade chamando-a “o velho credo trinitariano não escriturístico”. Um século depois, a denominação que ele ajudou a fundar votou uma declaração oficial de ‘Crenças Fundamentais’ que incluía a crença em uma Trindade.” (veja aqui)

“Desde então, vários autores têm aceitado aspectos destes dois grandes pontos de debate. Russell Holt, em 1969, baseado na tese de Gane, adicionou outra significativa evidência concernente a Tiago White, J. N. Andrews, A. C. Bourdeau, D. T. Bourdeau, R. F. Cottrell, A. T. Jones, W. W. Prescott, J. Edson White e M. L. Andreasen. Concluindo, Holt afirmou que até 1890 o ‘campo era dominado por’ antitrinitarianos; de 1890 a 1900, ‘o rumo da denominação foi decidido por declarações de Ellen G. White’, e durante o período de 1900 a 1930 morreram muitos dos principais antitrinitarianos, de sorte que por volta de 1931 o trinitarianismo ‘havia triunfado e se tornado o ponto de vista oficial denominacional.’ (veja aqui)

Quando da publicação do livro “The Trinity: Understanding God's Love, His Plan of Salvation, and Christian Relationships” de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve o Blog Cinco Solas postou o seguinte:

“Na maior parte de sua história, o adventismo foi anti-trinitariano. E hoje existe um movimento crescente na IASD para que a mesma retorne à crença de seus pioneiros. A editora oficial adventista admite estes fatos na sinopse do livro A Trindade: ‘A doutrina da Trindade faz parte das crenças fundamentais dos adventistas do sétimo dia. Mas uma crescente minoria tem defendido a volta à posição antitrinitariana de muitos pioneiros. Em resposta a esse desafio, os autores dessa obra, cada um especialista em sua área, analisam o tema sob vários ângulos’. Quem eram esses pioneiros antitrinitarianos e quando a posição adventista mudou oficialmente? Se alguém dissesse "todos os pioneiros" não erraria muito. A começar com o marido de Ellen White, que classificava a doutrina da Trindade como fábula papista e dizia que ela degradava a redenção. Morreu antitrinitariano. Outros expoentes do adventismo nascente que foram ferozes combatentes da Trindade são J.N. Lougborough, J.B.Frisbie, J.N. Andrews (líder da IASD, criador de seus estatutos), D.W.Hull, R.F.Cottrell e Willie White, filho de Ellen White. Mas se os pioneiros adventistas eram antitrinitarianos militantes, quando sua posição mudou? Sabemos que até 1912, três anos antes da morte de Ellen White, a IASD eram oficialmente não trinitariana. Foi somente depois da morte de Willie White que o adventismo começou sua guinada para o trinitarianismo, isso porque queria deixar de ser considerada uma seita e ser reconhecida como igreja evangélica. Mas foi somente em 1980, na Conferência Geral de Dallas que a IASD passou a ser oficalmente trinitariana, conforme nos informa o historiador adventista Gerhard Pfandl.” (veja aqui)

Mas, e Ellen White? Era trinitariana ou não? Parece que nem seu próprio filho, Willie White a entendia. Em uma carta ao Pastor H. W. Carr ele escreve o seguinte:

“Em sua carta, você me pede para contar o que entendo ser a posição de minha mãe em relação à personalidade do Espírito Santo. Isso eu não posso fazer porque eu nunca entendi claramente seus ensinos sobre esse assunto. Sempre houve em minha mente alguma confusão a respeito do significado das expressões dela que, para a minha forma de raciocinar, parecem ser um pouco confusas. As declarações e os argumentos de alguns dos nossos ministros em seu esforço para provar que o Espírito Santo era um indivíduo como é Deus, o Pai e Cristo, o eterno Filho, têm me deixado perplexo e algumas vezes eles me tem entristecido. Um mestre popular disse: "Podemos considerá-Lo (O Espírito Santo) como o companheiro que está aqui embaixo fazendo as coisas acontecerem. Minhas perplexidades foram minimizadas quando aprendi, no dicionário, que um dos significados de "personalidade" era características. Isto está declarado de tal forma que eu concluí que pode haver personalidade sem uma forma corpórea a qual o Pai e o Filho possuem. Há muitos textos das Escrituras que falam do Pai e do Filho e a falta de textos que fazem referência similar ao trabalho unido do Pai e o Espírito Santo ou Cristo e o Espírito Santo me tem feito acreditar que o espírito sem individualidade era o representante do Pai e do Filho através do universo, e vem sendo através do Espírito Santo que eles habitam em nossos corações e nos fazem um com o Pai e com o Filho.” (veja aqui)

Será que o filho de Ellen White conhecia a mãe e desfrutava de algum crédito? Vejamos o que ela escreveu sobre ele:

“Desde minha volta à América do Norte tenho recebido várias vezes instruções de que o Senhor me deu G. C. White para ajudador, e que nesta obra o Senhor lhe dará de Seu Espírito.” (Mensagens Escolhidas, Vol. 1, p. 50.)

“Depois desse incidente, foi-me dada compreensão de que o Senhor me erguera para dar testemunho dEle em muitos lugares, e de que Ele me daria graça e força para a obra. Foi-me mostrado também que meu filho, G. C. White, seria meu ajudante e conselheiro, e que o Senhor poria sobre ele o espírito de sabedoria e são discernimento. Foi-me mostrado que o guiaria, e que ele não seria desviado, porque reconheceria as direções e orientação do Espírito Santo.” (Idem, p. 54)

“Esta comunicação foi-me feita em 1882, e desde então tem-me sido assegurado que lhe era dada a graça da sabedoria. Mais recentemente, em uma ocasião de perplexidade, o Senhor disse: "Dei-te Meu servo, G. C. White, e dar-lhe-ei discernimento para ser teu auxiliar. Dar-lhe-ei habilidade e entendimento para dirigir sabiamente." (Idem, p. 55)

Revelador também é o fato de Ellen White nunca ter utilizado a palavra Trindade em seus escritos. “Além disso, é impossível que ela não tivesse conhecimento das heresias de seu marido e de seu filho, e se não as reprovou jamais, como fez com o panteísmo de Kellogs, por exemplo, é porque concordava com eles.” (veja aqui)

Quanto a Ellen White ter usado a palavra Trindade, os adventistas responderão que sim. Porém, a análise de edições de seus livros, feita por adventistas antitrinitarianos, tem revelado alterações nas edições de seus livros na tentativa de torná-la trinitariana.

Por exemplo, compare o trecho abaixo copiado do original do livro “Evangelismo” de Ellen White com o que consta em edições recentes:

Original: “Existem as três personalidades vivas no trio celestial nas quais cada alma arrependida dos seus pecados recebendo a Cristo por meio de fé viva por eles são batizados.”

Edições recentes: “Há três pessoas vivas pertencentes à trindade celeste; em nome destes três grandes poderes– o Pai, o Filho e o Espírito Santo – os que recebem a Cristo por fé viva são batizados.”

Veja a prova abaixo - uma fotocópia escaneada do manuscrito original de Ellen G. White. Mais provas de alterações podem ser vistas aqui



O fato é que, como disse na palestra, não existe certeza se Ellen White creu ou não na Trindade, enquanto profetisa do movimento.

“3º: Ele também alega que rejeitamos nossa origem denominacional atribuindo a marcação de datas ao batista William Miller. Porém, isso não é verdade. Mesmo o adventismo sendo interdenominacional em seus primórdios, reconhecemos nossa origem milerita, tanto que um dos mais de 20 grupos que surgiram após o desapontamento, é o que hoje se conhece como Igreja Adventista do Sétimo Dia. Uma leitura da obra História do Adventismo, de C. Merwyn Maxwell teria revelado isso a Luciano Sena, pois, nela o historiador adventista constantemente cita Miller como pai do milerismo adventista. A alegação de que “os adventistas hoje não compartilham do conceito que Ellen White tinha de Miller” também é falsa. Há biografias inteiras escritas por historiadores adventistas sobre o pai do movimento milerita, entre elas a obra de Sylvester Bliss, intitulada Memoirs of William Miller (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2005)”

Eu não disse que o Adventismo nega “qualquer ligação” com Miller. Eu disse que negam a falsa profecia e a decepção como parte de sua história de fé. Veja o que afirmaram ao ICP: “Os Adventistas nunca marcaram uma data para a Volta de Jesus. Foram os Mileritas (seguidores de Guilherme Miller, um pregador batista) que fizeram isto. Eles anunciaram que Jesus viria no ano de 1843; depois, deduziram que seria em 1844; como os Adventistas do 7º Dia iriam marcar uma data, se eles ainda não existiam? Surgimos como movimento organizado no ano de 1863 (declaração constante da carta em apreço)." Pág. 12 (Série Apologética, Vol. III. São Paulo. Editora ICP, 2001, p.222).

O próprio Leandro Quadros escreveu no site do “Na Mira da Verdade”: “Ellen White, assim como os demais adventistas, nunca marcaram datas para a volta de Jesus. Quem se aventurou nisso foram os mileritas (seguidores de Guilherme Miller), observadores do domingo e que pertenciam a várias denominações evangélicas da época: Batista da Comunhão Restrita, Batista da Comunhão Livre, Batista Calvinista, Batista Arminiana, Metodista Episcopal, Metodista Evangélica, Metodista Wesleyana, Metodista Primitiva, Congregacional, Luterana, Presbiteriana, Protestante Episcopal, Reformada Alemã, etc. Poderíamos dizer que esses sim eram “profissionais” na “arte” de marcar datas. Não negamos nossa origem milerita, mas jamais iremos aceitar que como movimento organizado os Adventistas do Sétimo Dia marcaram datas para a o retorno glorioso do Salvador. (veja aqui).

Foi sobre esse comportamento de “1844 não tem nada conosco” que me referi na palestra.

“Já a afirmação de que Ellen White ensina que Miller foi o “primeiro a calcular o período dos 2.300 anos de Daniel 8:14” também é inverídica e não pode ser apoiada pelo que ela escreveu e nem mesmo pelas obras adventistas. Em sua tese doutoral traduzida para língua portuguesa em 2002 com o título “O Santuário e as Três Mensagens Angélicas: Fatores Integrativos no Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas”, Alberto R. Timm é muito claro em sua exposição quando afirma que, mesmo Miller tendo provido “um dos cálculos cronológicos mais precisavamente ‘elaborados e aperfeiçoados’ das profecias bíblicas mostrando o iminente cumprimento desse evento [2ª vinda de Cristo]” (p. 15), esse pioneiro não foi o primeiro a realizar esse tipo de estudo em torno de Daniel 8:14. Na p. 14 Timm informa que antes de Miller “muitos intérpretes protestantes ficaram convencidos, mediante estudos das profecias bíblicas, de que Cristo viria em seus dias”. Na obra Questões Sobre Doutrina (ed. de 2009), também negligenciada por Luciano Sena, na página 233, são mencionados eruditos protestantes que assim como Miller chegaram ao ano de 1843 no estudo de Daniel 8:14 antes do fundador do milerismo. Na referida obra são mencionados John A. Brown, que publicou suas convicções em 1810; Birks, em 1843; William C. Davis, também em 1810, que do mesmo modo olhava para os anos 1843, 1844 ou 1847 como marcando o início de acontecimentos importantes na profecia bíblica. Entre esses eruditos que chegaram a tais conclusões antes mesmo de William Miller se destacam também o Dr. Joshua L. Wilson, da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana; o bispo episcopal John P. K. Henshaw; Alexander Campbell. Mais de 60 homens no começo do século 19 aguardavam o término da profecia de Daniel 8:14 (2.300 tardes e manhãs) para uma dessas três datas."

O crítico não prestou atenção no vídeo. Aos 06:54 é possível verificar o que afirmei: Eu disse que Miller  repetiu uma popular interpretação em seus dias. Que Daniel 8.14 indicava o período do fim do mundo. Aos 08:12 eu disse que O Grande Conflito atesta essa popular interpretação.

No livro “O Grande Conflito” Ellen White mostra que Miller estudou a Bíblia independentemente e chegou, sob a orientação angélica, à conclusão de que Jesus voltaria em 1843/4. Ela informa em capítulos posteriores que em várias regiões isso acontecia, mas ela não diz nada que Miller foi influenciado por outros autores. Isso hoje nós sabemos, mas ela, pelo jeito, não. Veja por si próprio:

“... deixou de lado as opiniões preconcebidas, dispensou comentários e usou apenas as concordâncias das referências bíblicas” (O Grande Conflito, 1975, p. 319)

“anjos estavam guiando a compreensão de Miller” (O Grande Conflito, 1975, p. 320).

“Assim como Eliseu foi chamado (...) também Guilherme Miller foi chamado para deixar o arado e desvendar ao povo os mistérios do reino de Deus” (O Grande Conflito, 1975, p. 330).

"... multidões se convenceram da exatidão dos princípios de interpretação profética adotados por Miller e seus companheiros, e maravilhoso impulso foi dado ao movimento do advento" (O Grande Conflito, 1975, p. 335).

“4º: Sobre a expiação realizada pelo bode Azazel, que cremos ser Satanás, não se pode realizar uma exposição do que pensa o adventismo sobre o assunto sem a leitura do capítulo “O Significado de Azazel”, da obra Questões Sobre Doutrina (publicada na década de 50), disponível em português desde 2009. Na p. 286 da referida obra Sena saberia que a identificação de Azazel com Satanás (reconheço que é um assunto muito controverso entre adventistas e evangélicos) não é feita apenas por adventistas, mas, por eruditos de outras confissões religiosas, entre eles Samuel M. Zwemer, presbiteriano. Já a leitura das páginas 288-290 revelaria ao palestrante que, na concepção adventista, a expiação de Azazel não era vicária, mas, retributiva. Por isso, pôde ser afirmado em tal obra, com a consciência tranquila diante de Deus, que ‘Os adventistas do sétimo dia rejeitam, portanto, inteiramente qualquer ideia, sugestão ou inferência de que Satanás seja em certo sentido ou medida o portador de nossos pecados. Esse pensamento nos causa horror, é terrivelmente sacrílego [...]’ (p. 289).”

É estranho o estranhamento de Leandro Quadros, pois as afirmações que fiz foram com base nos próprios livros adventistas “O Grande Conflito” e “Nisto Cremos”. Senão vejamos:

 “O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para a redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário”. (O Grande Conflito, p. 420).

“Em o novo concerto, os pecados dos que se arrependem são, pela fé, colocados sobre Cristo e transferidos, de fato, para o santuário celeste. E como a purificação típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados pelos quais se poluíra, igualmente a purificação real do santuário celeste deve efetuar-se pela remoção, ou pagamento, dos pecados que ali estão registrados. Mas antes que isso se possa cumprir, deve haver um exame dos livros de registro para determinar quem,pelo arrependimento dos pecados e fé em Cristo, tem direito aos benefícios de expiação. (O Grande Conflito, p. 421).

“A purificação do santuário, portanto, envolve uma investigação – um julgamento.” (O Grande Conflito, p. 423).

“Como o sacerdote, ao remover do santuário os pecados, confessa-os sobre a cabeça do bode emissário, semelhantemente Cristo porá todos esses pecados sobre Satanás, o originador e instigador do pecado”(O Grande Conflito, p. 485).

“Ao completar-se a obra de expiação no santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos do Céu e dos exércitos reunidos, serão postos sobre Satanás os pecados do povo de Deus” (O Grande Conflito, p. 655).

“Tendo sido os pecados dos justos transferidos para Satanás, tem ele de sofrer não somente pela própria rebelião, mas por todos os pecados que fez o povo de Deus cometer”(O Grande Conflito, p. 669).

“Passo seguinte, representando a Cristo como mediador, o sumo sacerdote assumia sobre si próprio os pecados que haviam poluído o santuário e os transferia para o bode vivo, Azazel, o qual era então conduzido para fora do acampamento do povo de Deus [...] é mais coerente ver o bode do Senhor como símbolo de Cristo e o bode emissário – Azazel – como símbolo de Satanás.” (Nisto Cremos, p. 414).

“Se Azazel representa Satanás, como podem as Escrituras (Lev. 16:10) conectá-lo com a expiação? Assim como o sumo sacerdote, depois de haver purificado o santuário, colocava os pecados sobre Azazel – o qual era para sempre removido dentre o povo de Deus – assim Cristo, depois de haver purificado o santuário celestial, colocará os pecados confessados e perdoados de Seu povo sobre Satanás, que será então removido para sempre dos santos. “Quão apropriado é que o último ato de Deus no trato com o pecado, seja fazer retornar sobre a cabeça de Satanás todos os pecados e culpas que, partindo originalmente dele, causaram uma vez tal tragédia na vida daqueles que agora foram libertados pelo sangue expiatório de Cristo. Completa-se desta forma o ciclo, encerra-se o drama. Somente quando Satanás, o instigador do pecado, for finalmente removido, poder-se-á afirmar apropriadamente que o pecado foi erradicado do Universo de Deus. Neste sentido harmonizado podemos entender de que modo o bode emissário tomava parte na ‘expiação’ (Lev. 16:10). Com os justos estando salvos, os pecadores ‘desarraigados’ e Satanás não mais existindo, então – e somente então – estará o Universo no mesmo estado de harmonia em que se encontrava antes do surgimento do pecado” (SDA Bible Commentary, edição revista, vol. 1, pág. 778).” (Nisto Cremos, p. 428).

Eu não disse que os adventistas ensinam que o diabo é um redentor. Eu disse que os adventistas dizem que essa expiação é uma expiação punitiva e não redentiva, como pode ser verificado no tempo 26:50 do vídeo.

Sobre o fato de um presbiteriano ter crido como os adventistas, isso é de pequena importância. Nenhuma confissão reformada ou documento presbiteriano estabelece o assunto desta maneira.

O Rev. Onezio Figueiredo, professor e capelão do Seminário JMC, sobre este assunto escreveu:

“Em todas as incidências, o termo azazel aparece com a preposição prefixal “para”. Portanto, a palavra significa: “para Azazel”. Desta maneira, o bode emissário, carregando os pecados do povo de Deus, é levado “para Azazel”, isto é, para um local ou para um espírito maléfico com esse nome. Dona White sustenta que Azazel é protótipo de Satã no sacrifício expiatório prefigurativo; sendo, portanto, o próprio Satanás, na expiação final do juízo investigativo, quem levará os pecados dos justos para a terra milenar desolada. Assim, o bode emissário, em vez de ser “para Azazel”, convertese em “Azazel”, o Demônio expiatório.” (veja aqui)

“5º: Ao citar a obra Nisto Cremos, Sena literalmente reinterpretou a crença fundamental número 18 (“O Dom de Profecia”) para afirmar que “seguimos Ellen G. White”. Se ele tivesse lido (ou não ignorado) a página 289, teria informado aos alunos do Seminário que “Os escritos de Ellen White não constituem um substituto para a Bíblia. Não podem ser colocados no mesmo nível. As Escrituras Sagradas ocupam posição única, pois são o único padrão pelo qual os seus escritos [de Ellen White] – ou quaisquer outros  - devem ser julgados e ao qual devem estar subordinados”.

A interpretação que dei ao “espírito de profecia” tem base em minha pressuposição Reformada da Suficiência da Escritura: “Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.” (Confissão de Fé de Westminster, cap. I.)

Quando citei a “Crença Fundamental” eu não reinterpretei nada. Apenas demonstrei a exclusividade mística e profética que Ellen White recebe. Veja o que diz a 18ª Crença Fundamental dos Adventistas: 

“18. O Dom de Profecia: Um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Este dom é uma característica da Igreja remanescente e foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autorizada fonte de verdade e proporcionam conforto, orientação, instrução e correção à Igreja.”

Sobre esta “exclusividade profética”, um pastor adventista pode nos ajudar. A TV NOVO TEMPO tem um programa intitulado “Bíblia Fácil”. Em um destes programas o pastor fala de Ellen White e afirma que ela foi uma profetisa verdadeira, e que nunca escreveu nada antibíblico. Diz que ela “antecipou a ciência em mais de 40 anos” em assuntos pontuais. Ressalva o pastor que nenhuma doutrina da IASD se baseia em Ellen White, e que seus escritos não estão em pé de igualdade com a Bíblia, mas nos orientam para a Bíblia. Neste momento do vídeo, uma participante do programa pergunta: “Então devemos concluir que a Igreja Adventista é a Igreja Verdadeira?”(39:45) A resposta contundente do pastor Arilton é:  “Sim. Se o Apocalipse indica, no cap. 12.17, que a Igreja Verdadeira observa toda a lei de Deus, inclusive o sábado, e tem um profeta moderno, e nós temos em nossa história, o ministério de Ellen G. White, nós acreditamos sinceramente nisso.”

Outra pessoa pergunta “se existe além de Ellen White outros profetas na IASD”. A resposta do pastor é: “Chamada por Deus, como profetisa, só Ellen G. White.” (40:40). Segundo o pastor, Ellen White ficava até duas horas sem respirar no momento de suas revelações... (41:39) (Veja aqui)

Além disso, a mudança de visão do Adventismo sobre a doutrina da Trindade não teria se dado por meio de mais estudo das Escrituras, mas segundo o livro “A Trindade”, por causa das revelações de Ellen White:

“As evidências mostraram que as visões recebidas por Ellen conduziram a denominação através de estágios claramente discerníveis rumo a uma plena aceitação do conceito bíblico da Trindade." (WHIDDEN, Woodrow, MOON, Jerry REEVE, John W. A Trindade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2003. p. 248.)

“6º: Ao comentar sobre a Inerrância Sena diz que “suspeita” ser Ellen White adepta da Inerrância absoluta, para argumentar que os adventistas atualmente “negam” a posição da própria profetisa. Não sei como um pesquisador pode chegar a uma conclusão dessas ao ler os que ela escreveu sobre o assunto na obra Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 21. Em 1886 ela afirmou: A Bíblia foi escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de Deus. Esta é da humanidade. Deus, como escritor, não Se acha representado. Os homens dirão muitas vezes que tal expressão não é própria de Deus. Ele, porém, não Se pôs à prova na Bíblia em palavras, em lógica, em retórica. Os escritores da Bíblia foram os instrumentos de Deus, não Sua pena. Olhai os diversos escritores. Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As palavras, porém, recebem o cunho da mente individual. A mente divina é difusa. A mente divina, bem como Sua vontade, é combinada com a mente e a vontade humanas; assim as declarações do homem são a Palavra de Deus. Na página 22 ela continua explicando sua posição sobre o processo de inspiração das Escrituras sem dar qualquer margem para a opinião infundada de Luciano Sena de que ela, “talvez”, acreditasse na Inerrância absoluta.”

Não vejo algo plenamente desenvolvido contra a inerrância. Qualquer um que crê na inerrância diz isso. Talvez Leandro não saiba a diferença entre inspiração e inerrância, conforme define o protestantismo fiel, por isso acha que “Deus falar em linguagem humana” é garantia de erros. A Declaração da Inerrância de Chicago poderia ajudá-lo.

Um trabalho acadêmico adventista contra a inerrância bíblica pode ser visto aqui.

“Na mesma palestra Sena se contradiz. Enquanto ele “acha” que Ellen G. White cria na Inerrância absoluta, num determinado momento ele afirma que os adventistas “rejeitam a Inerrância [absoluta] por causa de Ellen G. White”. Essa contradição aberta revela que Sena desconhece por completo a posição de Ellen White sobre o método de inspiração das Escrituras, e que ele foi bastante arrogante em querer colocar “na boca” da co-fundadora do adventismo algo que ela nunca sonhou em dizer. Avalie, irmão e Reverendo Ageu, o tipo de informação que tal palestrante levou até os alunos do Seminário Presbiteriano JMC e veja se esse vídeo no YouTube, assistido até o momento por mais de 700 pessoas, não compromete a credibilidade acadêmica de uma Instituição séria como a de vocês. Além disso, Sena não fez questão de informar aos alunos que a crença adventista na autoria humana da Bíblia nada tem a ver com a posição dos teólogos liberais.”

Leandro Quadros não entendeu essa parte, ou mais uma vez não prestou atenção no vídeo. Não existiu contradição alguma. Perceba que eu mostrei aos 43:48 que é para salvar os escritos de Ellen White que os adventistas da atualidade negam a inerrância bíblica. “Por causa” de Ellen White não significa que ela influenciou ativamente o tema. A prova para minha conclusão pode ser vista nessas palavras:

“Alguns têm tropeçado no fato de que há imperfeições nos escritos de Ellen White. (...) Não há acusação que possa ser levantada contra Ellen White, em seu papel profissional como profeta, que não poderia e não tenha sido primeiro levantada contra os escritores da Bíblia (...) Não reivindiquemos mais para a Sra. White do que reivindicaríamos para os escritores bíblicos (...) “Precisamos ser consistentes; precisamos tratar Ellen White exatamente como trataríamos qualquer profeta dos tempos bíblicos. Se não rasgamos de nossa Bíblia os salmos escritos por Davi, as profecias de Jeremias e Jonas e as duas epístolas de Pedro, então não temos direito de lançar fora os escritos de Ellen White.” (veja aqui)

“Se ele tivesse lido atentamente o capítulo “A Natureza da Bíblia: Isenta ou Repleta de Erros?”, escrito por Samuele Bacchiocchi (citado repetidas vezes por Luciano Sena) na obra Crenças Populares: o que as pessoas acreditam e o que a Bíblia realmente diz (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 11-47, teria informado aos alunos que, mesmo não sendo Inerrantes absolutos por crer que a Bíblia é a perfeita Palavra de Deus na imperfeita linguagem humana, cremos que “As Escrituras Sagradas são a infalível revelação de Sua vontade. Constituem o padrão de caráter, a prova da experiência, o autorizado revelador de doutrinas e o registro fidedigno dos atos de Deus na história” (Nisto Cremos, 2003, p. 14).”

Isso não trata da questão que foi apontada na palestra, a saber, que o adventismo ensina que a Bíblia tenha erros de natureza não doutrinaria. Como o próprio Leandro Quadro afirmou em 08:04: “Mesmo Deus guiando a mente do profeta para não errar, no aspecto doutrinário e moral, em aspectos ortográficos e lapsos de memória, é claro que o profeta errou.” Diz que a Palavra de Deus é perfeita em seu contexto moral, ético e doutrinário. E afirma que não descarta a possibilidade do próprio autor ter errado no caso em mira! (veja aqui)

“7º: Também absurda e inverídica é a afirmação de que “os adventistas creem que em cada mundo há seu próprio Adão e que só o nosso caiu”. Não é isso o que o Nisto Cremos (ed. de 2008), p. 90 e 91, afirma. Na referida obra o termo “Adões” no plural é empregado, realmente, como referência a seres de mundos não caídos (com base em Jó 1:6-12), porém, não há a mais remota ideia de que “cada mundo tenha seu próprio Adão”. O termo plural usado no contexto se refere aos “Filhos de Deus” (Jó 1:6-12) de mundos não caídos, de modo que a “explicação” de Sena é pura invenção da própria mente dele, resultante de uma leitura superficial ou manipulação do texto.”

Leiamos, então, o trecho do livro:

“O mais provável é que a Terra, em vez de ter sido a primeira obra do Criador, tenha sido, na verdade, a última. A Bíblia retrata os filhos de Deus – provavelmente os Adões dos mundos não caídos – encontrando-se com Deus em alguma parte distante do Universo (Jó 1:6-12). Até o presente momento, as experiências espaciais não conseguiram descobrir nenhum outro planeta habitado. Aparentemente eles se situam na vastidão do espaço – muito além do alcance de nosso sistema solar poluído, onde se acham garantidos contra a infecção do pecado.” (Nisto Cremos, p. 103).

O próprio Leandro Quadros já disse que “realmente existe vida em outros planetas, que não conheceram o pecado, a desobediência à lei de Deus”. (veja aqui)

Este ensino é repetição das visões de Ellen White:  

“O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar. Perguntei a um deles por que eram muito mais formosos que os da Terra. A resposta foi: Vivemos em estrita obediência aos mandamentos de Deus, e não caímos em desobediência, como os habitantes da Terra. Vi então duas árvores. Uma se assemelhava muito à árvore da vida, existente na cidade. O fruto de ambas tinha belo aspecto, mas o de uma delas não era permitido comer. Tinham a faculdade de comer de ambas, mas era-lhes vedado comer de uma. Então meu anjo assistente me disse:   Ninguém aqui provou da árvore proibida; se, porém, comessem, cairiam.   Então fui levada a um mundo que tinha sete luas. Vi ali o bom e velho Enoque que tinha sido trasladado... Ele percorria o lugar como se realmente estivesse em sua casa. Pedi ao meu anjo assistente que me deixasse ficar ali. Não podia suportar o pensamento de voltar a este mundo tenebroso. Disse então o anjo:  Deves voltar e, se fores fiel, juntamente com os 144.000 terás o privilégio de visitar todos os mundos e ver a obra das mãos de Deus. “(Vida e Ensinos) (veja aqui)

Percebe-se que o que eu disse na palestra não foi fruto de minha imaginação...

8º: “Desconheço até o momento qualquer fonte primária adventista que afirme ter sido a Igreja Católica quem “inventou o domingo”. Na verdade, a leitura de algumas obras essenciais revelam que mesmo os adventistas sendo convictos de que a observância do domingo esteja intimamente relacionada ao papado (veja-se O Grande Conflito, p.p. 54, 446, 449 e 579), a história da observância do domingo é muito mais abrangente do que isso. Se ele tivesse lido, por exemplo, a obra The Sabbath in Scripture na History, editada por Kenneth A. Strand e publicada em 1982, ele veria que os eruditos adventistas abarcam a substituição do sábado pelo domingo de uma perspectiva histórica bem mais sólida especialmente na segunda parte do livro, intitulada “Sabbath and Sunday In Christian Church”. Sete capítulos foram dedicados ao assunto, sem que a origem do domingo tenha sido atribuída unicamente ao papado. Outra obra muito útil para o palestrante seria o livro de Alberto R. Timm, intitulado O Sábado na Bíblia, publicado em 2010, onde o autor faz menção à tese de Samuele Bacchiocchi defendida na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, intitulada From Sabbath to Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity. A mesma foi publicada em 1977 e nela se percebe que, além de o papado ter certa influência no estabelecimento do domingo, a origem da observância do primeiro dia foi na igreja de Roma, por volta do 1º século, entre cristãos primitivos que observaram o sábado juntamente com o domingo. O papado entra em cena alguns séculos depois, bem como o edito de Constantino em 321 d.C que exaltou o domingo na esfera civil.”

Leandro Quadros comete um engano escandaloso, talvez para granjear alguma credibilidade do Reverendo Ageu. Se o inspirado e autorizado livro “O Grande Conflito” não é fonte primária, não sei qual outro livro será. Veja o que ele diz sobre papado e domingo:

“O papado tentou mudar a lei de Deus. O segundo mandamento, que proíbe o culto às imagens, foi omitido da lei, e o quarto foi mudado de molde a autorizar a observância do primeiro dia em vez do sétimo, como sábado.” (O Grande Conflito, p. 446)

“É apresentada uma mudança intencional, com deliberação. ‘Cuidará em mudar os tempos e a lei.” A mudança no quarto mandamento cumpre exatamente a profecia. Para isto a única autoridade alegada é a da Igreja. Aqui o poder papal se coloca abertamente acima de Deus.” (O Grande Conflito, p. 446)

“Enquanto os adoradores de Deus se distinguirão especialmente pelo respeito ao quarto mandamento - dado o fato de ser este o sinal de Seu poder criador, e testemunha de Seu direito à reverência e homenagem do homem - os adoradores da besta salientar-se-ão por seus esforços para derribar o monumento do Criador e exaltar a instituição de Roma. Foi por sua atitude a favor do domingo que o papado começou a ostentar arrogantes pretensões; seu primeiro recurso ao poder do Estado foi para impor a observância do domingo como ‘o dia do Senhor’.” (O Grande Conflito, p. 446)

“O fato de Luciano Sena utilizar dessa metodologia antiacadêmica não me surpreende porque já tive diversos contatos com ele, dando respostas às suas acusações sem, contudo, obter da parte dele pelo menos um reconhecimento de que errou na forma como citou as fontes primárias.”

É óbvio que para Leandro Quadros nenhuma citação será acadêmica quando for contra o Adventismo. As obras que citei na palestra estão documentadas. Fiz questão de usar obras adventistas e não apenas de oponentes. O que se percebe é que Leandro Quadros defende de qualquer maneira a IASD, ainda quando não está com a razão, e geralmente tenta desqualificar seus oponentes.

“Porém, quando a questão envolve um Seminário Teológico como o JMC, a coisa fica mais séria porque alunos estão obtendo informações falsas que, além de desonrar a Deus (Êx 20:16), podem comprometer todo um trabalho de ensino realizado por profissionais comprometidos como vocês. Por isso, assisti a toda a palestra no YouTube e decidi escrever e telefonar para o Reverendo.”

Creio que ficou claro e evidente onde estão as informações falsas. 

“Há muita coisa que ele disse sobre a teologia da Lei, da Expiação e da Trindade que não refletem o posicionamento oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Porém, não me delongarei mais do que já fiz porque não devo ocupar seu tempo que, com certeza, é precioso em vista dos seus diversos compromissos acadêmicos.”

Concluo esta resposta dizendo que o trabalho do apologista é ser verdadeiro na exposição dos fatos e fiel a Deus na avaliação dos mesmos, ainda que seus oponentes digam que ele não é. Mantenho um blog que, junto com outros, tem trilhado o caminho de tentar abrir os olhos dos adventistas. Conheço bem o modo como Leandro Quadros age para com os críticos. Em sua visão, todos são desonestos ou desinformados. Homens como Paulo Romeiro, Franklin Ferreira, Natanael Rinaldi, D. Anderson, Walter Rea e institutos sérios como o Instituto Cristo de Pesquisas (ICP) e o Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP) já experimentaram dessa carga.

Minha resposta acima só teve uma preocupação: Honrar ao meu Deus na abordagem apologética (2Co 10.4-6), na esperança de que Deus aja no coração dos adventistas, de modo a reconhecerem o Senhorio Absolutamente Salvador de Cristo, sem as interpolações das heresias do Adventismo.

Ev. Luciano Sena

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Fonte: Resistência Protestante
Divulgação: Bereianos
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