Ética cristã e sua importância

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Falar sobre ética, inicialmente, nos parece uma tarefa difícil, por conta de sua grande abrangência e aparente complexidade. Apesar da enorme importância que a mesma exerce (ou pelo menos deveria exercer) na vida individual e comunitária, pouco ou quase nada se têm pensado ou discutido sobre o tema, seja por negligência ou ainda por medo de ofender alguém que, a princípio, já tenha uma opinião formada sobre como as coisas deveriam ser.

No meio evangélico não é diferente. É comum pensarmos que basta sabermos os dez mandamentos (Ex 20.1-17), e que eles de per si serão suficientes para termos uma perspectiva capaz de dar-nos condições de dirimir as mais diversas situações-problemas que se levantam na nossa caminhada cristã. É também verdade que eles são ordenanças dadas à nós pelo Deus Trino, mas não são as únicas, como constatamos, v.g., no Sl 15, Lv 19.18, Sl 24.4, Is 33.15, Mt 5-7, dentre outros.

Somos salvos pela fé, e não pelas obras (que podem ser pensamentos, palavras, sentimentos, ações e omissões), mas são as boas obras que testificam a veracidade, qualidade e o tamanho da minha fé (Tg 2.18), e não sendo qualquer tipo de obras, que podem nascer das mais diferentes crenças que um indivíduo pode ter e carregar, como fruto de seu desenvolvimento sócio-educativo e cultural (inclusive as decorrentes de tradições enviesadas, legalistas ou antinomistas, transmitidas por algumas igrejas, muitas das vezes por conta de uma péssima interpretação bíblica, sendo outras já pelo mau-caratismo de seus líderes), mas sim aquelas que estão prescritas na Bíblia e deixadas ao povo da aliança a fim de que, por meio da práxis delas, Deus seja glorificado da maneira que O agrada, e não da maneira que “gostamos” e/ou entendemos ser o correto e que está à parte das escrituras.

Para praticar estas obras é necessário estarmos aptos a tomarmos decisões que estejam conforme a “mente de Cristo “ (1Co 2.16), sendo imprescindível a ajuda da ética cristã, que busca o quê é moralmente certo ou errado para o cristão, ainda mais tendo em vista a complexidade do mundo contemporâneo globalizado e altamente tecnológico, que nos impõe inéditos e complicados desafios quanto a forma de procedermos por decorrência dos novos problemas apresentados, e que levantam questões sobre “o quê é ser bom?” e quais coisas boas são moralmente desejáveis.

A Ética é importante por que enfrentamos problemas morais todos os dias, muitos dos quais estão no centro das questões mais importantes da vida (ex.: política), sem contar a grande diversidade dessas questões. Cito alguns exemplos: aborto; divórcio; adultério; pena de morte; ética sexual; jogos de azar e ganância; guerra e paz; alcoolismo e drogas; meio ambiente; desobediência civil; meios de comunicação, entretenimento e pornografia; na legislação da moralidade;  no cuidado dos pobres, oprimidos e órfãos; direitos dos animais e fazendas industriais; riquezas, posses e economia; tecnologias genéticas e clonagem humana; suicídio medicamente assistido e eutanásia; coabitação e fornicação; homossexualidade; racismo e direitos humanos; tecnologias reprodutivas; etc.

Lembremos que há ainda uma diferença entre ética e moral. Sumariamente, a moralidade nos diz o quê é certo e errado e a ética nos dá o processo de como podemos chegar a esta conclusão. A última, na prática, é tão ou mais importante que a primeira.

Vale citar Scott B. Rae (p. 15):

“...A maioria das pessoas tem alguma noção de que tipos de coisas são certas ou erradas. Contudo, explicar por que você pensa que algo é certo ou errado ou se determinada pessoa é boa ou má é uma questão completamente diferente. A base sobre a qual você faz escolhas morais é geralmente tão importante quanto as próprias escolhas em si...”

Os humanistas dirão que a ética e a moral são construtos humanos, contudo, não cremos assim. O cristão crê que há uma fonte transcendente, um legislador moral, que se revelou a um povo escolhido e determinou-lhes como deveriam andar na sua presença.

É verdade que muitas pessoas nunca professaram serem cristãs, e ainda assim possuem uma vida moral invejável. Contudo, isso se dá por conta do quê chamamos na teologia de “graça comum”, em que Deus, por sua infinita misericórdia, concede à todas as pessoas uma porção de seus atributos comunicáveis, como a bondade, a verdade e a misericórdia, mesmo se essas pessoas deliberadamente O rejeitam nesta vida.

Como cristãos, devemos estar preparados para aconselhar os incrédulos, uma vez que se observa um aumento crescente do interesse das pessoas pela ética, por conta da preocupação em relação ao deterioramento moral na sociedade, do surgimento de questões tecnológicas complexas (ex.: utilização de tecidos de fetos humanos para o tratamento de certas doenças) e pelo aparecimento de uma grande quantidade de escândalos. 

Se realmente amamos a Deus de todo nosso coração e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22.34-40), e se realmente somos o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt 5.13-14), temos que estar aptos não apenas a tomar decisões éticas cristãs, mas também de obedecermos a ordenança de responder as indagações sobre a razão da nossa fé (1Pe 3.15), que talvez possa vir de um cristão neófito na mesma, ou até mesmo de um irmão que, apesar de já professar a fé verdadeira há muitos anos, ser ainda fraco nesta por não desejar o genuíno leite espiritual (1Pe 2.2), sem falar no descrente (ateu ou que professa uma falsa religião). Por fim, a exigência dessa tarefa é ainda maior aos pastores, pais (ou responsáveis) e mestres da igreja, que terão que prestar contas no dia do juízo sobre o tipo de cuidado que tiveram em relação àqueles a quem o Senhor da Igreja os confiou.

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Autor: Cláudio da Costa Leão
Divulgação: Bereianos
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Confessionalidade madura também se expressa através de submissão e coerência

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Recentemente vi um vídeo do trecho de uma palestra a respeito de como viver uma confessionalidade madura. Esse tipo de discussão é deveras importante, uma vez que há alguns anos o assunto da confessionalidade era quase que completamente ignorado em nosso meio. Aliado a isso está o fato de que há muitos jovens que, nas redes sociais, discorrem sobre o assunto de modo beligerante e sem qualquer caridade pelas pessoas que pensam de modo distinto.

A minha questão aqui gira em torno de algumas afirmações feitas na palestra, que, possivelmente até de modo inadvertido, esvaziem a autoridade das confissões reformadas de modo geral e, especificamente, dos Padrões de Westminster, símbolos de fé da Igreja Presbiteriana do Brasil, aos quais nós, ministros presbiterianos, juramos submissão.

Coringa e “A Faca Entrou”: a perigosa atenuação da culpa

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A obra mais falada do cinema nos últimos dias é “Coringa” (Joker). O filme, aguardado com muita expectativa, traz um Joaquin Phoenix candidato ao posto de melhor ator do ano, tenha ou não o reconhecimento da Academia (entenda aqui ganhar o Oscar). E na minha humilde opinião, se o que ele ou outro ator tivesse entregado na atuação, ficasse abaixo do que vemos na tela, talvez o filme nem fosse tão aclamado como vem sendo.

O trabalho do diretor não é ruim. O roteiro é que deixou algumas coisas a desejar. Apesar de dois excelentes plot twists (uma mudança radical e surpreendente da narrativa), o fato do Coringa ter sido planificado como personagem me desagradou. Explico: Personagens planas e esféricas são uma denominação cunhada por E.M. Forster, retiradas da obra Aspectos do Romance. Ao meu ver, o Coringa da mais recente versão cinematográfica é uma personagem plana, unilateral. Arthur Fleck, a pessoa que se torna o arqui-inimigo do Batman, é alguém que apresenta uma inocência e uma fragilidade que nos faz ter muita simpatia por ele. Em boa parte da película vemos o homem com problemas mentais querendo encontrar o seu lugar no mundo. Querendo ser notado. Querendo ser amado. Mas a notabilidade e o amor não vem. O que Arthur Fleck acumula é fracasso, desdém, sofrimento, abandono, traição. Pobre Arthur…

O Coringa interpretado por Phoenix é mais vítima do que vilão. Isso me incomodou. Basicamente o que vemos em cena é que a resposta de Arthur Fleck para todo o mal que sofreu e absorveu é a violência. Justificada por uma vida de constantes abusos, a aparição do Coringa deixa a personagem sem sua vilania clássica. Ora, o Coringa é um psicopata, alguém mal que no universo dos quadrinhos cometeu inúmeras atrocidades. Faltou a este Coringa do cinema ser mais esférico (ainda usando E.M. Forster). Ele até poderia sofrer, ele até poderia ter seus traumas. Mas faltou um indicativo de pura maldade. Alguma coisa que mostrasse que mesmo com os fatores externos, havia algo de perverso em Arthur manifesto desde muito cedo. Nem que fosse arrancar a cabeça de uns bonecos.

Algumas pessoas vão me dizer que todo o enredo está sendo contado na ótica do próprio Coringa. Portanto, nem toda aquela narrativa significa ser verdadeira. Contraponho argumentando que esta é uma interpretação alternativa. O roteiro do filme não traz uma narrativa em primeira pessoa. Ele apresenta a estória. Ele apresenta a origem do vilão. Há, no mínimo, uma dubiedade de intenção ou de interpretação. Só que o que é apresentado na tela é o que o público médio vai entender: Coringa foi uma resposta da vilania social. Gothan, aqui funcionando mais como uma personagem do que como cenário, forjou Arthur.

Vi e ouvi inúmeras pessoas comentando exatamente o que coloquei acima. As pessoas saíram do cinema colocando a responsabilidade do Arthur ter virado o Coringa em tudo e em todos: na sociedade, na mãe, no Thomas Wayne, no apresentador do Talk Show (De Niro está ótimo aqui, por sinal), menos responsabilizando o próprio protagonista pelas suas ações. E aqui eu gostaria de usar a contribuição do Theodore Dalrymple para destacar o como que isto é problemático.

Dalrymple é o pseudônimo de Anthony Daniels. Hoje um aclamado e respeitado ensaísta britânico, mas que é médico psiquiatra de formação e a exerceu por muitos anos. Um dos seus livros mais recentes lançados em português é “A Faca Entrou” (É Realizações, 2018), recheado de histórias reais de assassinos conhecidos por Dalrymple quando ele atuava como clínico geral e psiquiatra numa penitenciária. O título da obra é explicado da seguinte maneira pelo seu autor:

No entanto observei um fenômeno peculiar na penitenciária onde comecei a trabalhar vinte anos atrás — o uso da voz passiva pelos prisioneiros como forma de se distanciar das próprias decisões e persuadir os outros da falta de responsabilidade por suas ações. A princípio, notei o fenômeno ao falar com assassinos que tinham esfaqueado alguém até a morte e, invariavelmente diziam “a faca entrou”, como se a faca tivesse guiado a mão em vez da mão guiar a faca. Um assassino desses pode ter cruzado a cidade levando a faca consigo para confrontar a exata pessoa de quem guardava um sério rancor. Ainda assim, foi a faca que entrou.

O livro do Darlrymple expõe a negação da culpa e a transferência de responsabilidade para fatores externos. Isso tem sido uma mudança de paradigma que vem levando a sociedade a acomodação da violência e contribuído para uma disfuncionalidade que espanta aqueles que dela se apercebem. Uma vida sofrida ou regada por humilhações não dão um aval para crimes serem cometidos. Falando sobre os prisioneiros com quem trabalhou, Darlrymple assume que, em sua maioria, eles “tiveram infâncias terríveis, cheias de crueldade e negligencia”. Só que não existe uma conexão simples ou inescapável que nos faça afirmar categoricamente que uma coisa está ligada a outra. “Em outras palavras, eles decidiram fazer o que fizeram”.

Tornar o sofrimento, os abusos ou as negligências como causas que servem de gatilhos para atos criminosos e/ou violentos é coisa de quem enxerga “lógica no assalto” (Não pegou a referência? Clica aqui). É sandice! Não queria entrar no mérito de jogar o roteiro do filme para ideologia A ou B, pois, de fato, não acredito que o filme tenha abraçado uma ideologia. Mas não dá para negar que há uma enorme fatia no pensamento progressista que gosta de usar desse tipo de atenuante para respaldar atos que para muitos são injustificáveis. Coringa se torna celebrado em Gothan. As pessoas o exaltam. Alguém que era para ser visto como vilão é visto por uns como uma espécie de herói dos desvalidos. Insano? Muito. Só que o que potencializa a insanidade é quando admitimos que ela é real. Quem não viu uma parcela da sociedade celebrar o ato e a pessoa do Adélio Bispo, o homem que tentou matar, o então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro? O mesmo foi de herói de um grupo a alguém que não poderia responder por seus atos, tido posteriormente como mentalmente incapaz (Biruta, no polular).

Coringa, ou melhor, Arthur Fleck, tinha problemas mentais, como dito. No filme não fica muito claro qual ou quais, mas sabe-se que ele possuía. Seria o transtorno mental um atenuador para os futuros crimes cometidos? Ao responder ao advogado de defesa de uma mulher acusada de assassinato, e que fora diagnosticada com um certo distúrbio de personalidade, se aquele distúrbio não deveria atenuar a culpa da acusada, Darlrymple nos conta que deu a seguinte resposta: “O senhor está cometendo um erro de lógica. Um homem com câncer no pulmão tem a doença porque fuma; um homem que fuma não tem necessariamente câncer no pulmão”.

Na Sagrada Escritura, aprendemos que o homem é um ser caído. O pecado é uma realidade que afeta a totalidade do ser humano. Jesus nos diz que é do coração que “procedem os maus intentos, homicídios, adultérios, imoralidades, roubos, falsos testemunhos, calúnias, blasfêmias” (Mateus 5.19). Só que a própria Escritura também nos diz que o homem é responsabilizado por seus atos. A narrativa do primeiro homicídio é conhecida, Caim mata seu irmão Abel por inveja. Todavia, antes de cometer tal brutalidade, ele havia sido exortado: “Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que está descaído o teu semblante? Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar”. (Gênesis 4.6 e 7).

Caim está para Coringa assim como José está para Bruce Wayne. A história de José narra um dos dramas familiares mais conhecidos do conteúdo bíblico (Começa em Gênesis 37). Sofreu bastante e foi capaz de responder de maneira diferente ao que muitos justificariam como sendo uma vingança compreensível. Já o Bruce Wayne, o Batman, sofreu ao ver seus pais morrendo diante de seus olhos — assassinados à sangue frio. Cercado de dinheiro, estava sem sua família. Uma criança sozinha no mundo. O Batman não sucumbiu a vilania “justificável”. Não é mesmo?

Sei que o Batman junto com José do Egito e o Theodore Darlrymple formaram um grupo bem mais estranho do que os componentes da Liga da Justiça e similares. Mas espero que eles lhe ajudem a ver o que eu vi e tenham clareado o meu argumento. Se você ainda não assistiu ao Coringa, assista. O filme pode até não ser tudo isso que falam, no entanto, é um bom filme e lhe fará pensar em muitas coisas. Vale ressaltar que todo e qualquer disparate deste texto (da minha análise como “crítico de cinema de araque”) é de minha inteira responsabilidade.

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos
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Resposta a Magno Paganelli, sobre “de quem é a Terra Santa”?

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Um pastor evangélico chamado Magno Paganelli escreveu uma crítica à tréplica que escrevi a Colin Chapman, a propósito de seu livro “De quem é a terra santa”.

O autor gasta dois parágrafos para se apresentar e parece muito preocupado em se mostrar como um especialista na área, falando de suas credenciais acadêmicas. Mas, em praticamente todos parágrafos de seu texto, há meias-verdades, erros, distorções, invencionices e imposturas.

Sobre a existência de um país chamado “Palestina”, Paganelli na verdade não respondeu a nenhuma das perguntas que fiz em minha tréplica. Para simplificar: ele poderia informar quando e onde existiu um país árabe chamado Palestina, e quais eram suas fronteiras e sua bandeira antes de 1948? E por que a Jordânia dominou a Cisjordânia e metade de Jerusalém durante 19 anos (1948-1967) e não fundou na época um estado palestino?

E para aqueles que, como Paganelli, estão prontos a descartar rapidamente acusações de judeofobia e antissemitismo por parte dos árabes é bom lembrar a declaração de Ismail Haniyeh, o “primeiro ministro” do Hamas, em comício em Gaza, na presença de 250 mil pessoas, em 2007: “Nós nunca reconheceremos Israel”. O líder do Hamas, Khalid Mashal, acrescentou: “Nós nunca vamos desistir de uma polegada da Palestina”.

Paganelli afirma que o Corpo de Mulas de Sião era um grupo terrorista. Tal afirmação é falsa. Este corpo foi criado em 1915 (e não em 1920, como ele erroneamente afirma), e seu comandante foi o tenente-coronel John Henry Patterson. É considerada a primeira unidade militar israelense, precursora da Legião Judaica, e foi parte da Força Expedicionária Mediterrânea, combatendo na campanha de Galípoli, contra o Império Otomano, de abril de 1915 a janeiro de 1916. A Legião Judaica, criada em 1917 como parte da Força Expedicionária Egípcia, lutou nas batalhas do Vale do Jordão e do Megido, em junho e setembro de 1918, ajudando os ingleses a derrotar os otomanos e alemães. A Legião Judaica foi desmobilizada em 1921.

Paganelli também afirma, erroneamente, que a Haganah (criada em 1920) teria suas origens no Corpo de Mulas de Sião, e seria uma organização terrorista – logo, as Forças de Defesa de Israel (criadas em 1948) teriam sua origem num suposto grupo terrorista. Na verdade, diferente do que ele afirma, a Haganah teve como precursora a Hashomer (fundada em 1909), cuja antecessora havia sido outro grupo de autodefesa, a Bar Giora (fundada em 1907). E Paganelli parece desconhecer que os grupos paramilitares Irgun (criado em 1931) e Lehi (criado em 1940) foram dissidências da Haganah (a título de comparação, a Haganah tinha 20 a 30 mil membros; o Lehi cerca de 300 a 500 membros).

Sobre a horrível explosão do quartel-general do Mandato Britânico da Palestina/Comando da Palestina, no Hotel King David, em 22 de julho de 1946, ele ignora que o Irgun fez várias ligações avisando do ataque, mas os britânicos não as levaram a sério. 91 pessoas foram mortas no ataque, inclusive 17 judeus. A Agência Judaica condenou o que chamou de “crime covarde” perpetrado por um “grupo criminoso”. Após o ocorrido, o Irgun e o Lehi romperam um acordo de cooperação com a Haganah e passaram a atuar separadamente.

Paganelli afirma que Vladimir Jabotinsky, um judeu russo, foi “um ex-terrorista soviético”, mais uma afirmação que não corresponde aos fatos. Jabotinsky, veterano do Corpo de Mulas de Sião e da Legião Judaica, era um firme anti-comunista, e chegou a escrever sobre o comunismo da União Soviética: “Um regime totalitário [que] deve ser mais insuportável para os judeus do que para qualquer outro povo, pois nenhuma outra raça disputou até agora o título dos judeus de primazia em matéria de individualidade e rebeldia”.

Como parece que Paganelli leu meu texto com óbvia má vontade, ele desconhece que Chapman – cujo livro ele não leu – acusa genérica e coletivamente os judeus pelos ataques a Balad al-Shaykh e Deir Yassin. O que fiz foi destacar que estes ataques não foram ataques realizados por todos os judeus, mas por dois grupos paramilitares judaicos, no contexto da luta de Israel por sua independência, em 1948.

Paganelli escreve que afirmar que Israel é uma democracia é “velho mito”, “propaganda enganosa” e “falácia”. Mas no Democracy Index 2018, do The Economist, o Estado de Israel é listado em 30º lugar. Já o Líbano, que ele supõe ser uma democracia exemplar, se encontra em 106º lugar. A Palestina está em 109º e o Egito, elogiado por ele, encontra-se em 127º lugar.

Paganelli ignora que os cristãos egípcios sofrem discriminação e violência que não ocorre em lugar algum em Israel. Desde 2011, centenas de coptas foram assassinados e várias igrejas foram destruídas por muçulmanos. Enquanto isso, em Israel, no vilarejo de Jish, os cristãos arameus estão revivendo a língua aramaica com o apoio da suprema corte de Israel.

E quanto aos cristãos palestinos, que são apenas 2,5% da população palestina (em 1922 eram 9,5%), a causa de seu êxodo não seria apenas o conflito entre Israel e os árabes, mas também a perseguição do Hamas e da Autoridade Palestina. Enquanto isso, os cristãos árabes que vivem em Israel estão entre as pessoas mais cultas no país.

Paganelli afirma que “há estatísticas que dão conta de que mais de 95% do partido comunista soviético chegou a ser formado por judeus”, simplesmente repetindo as mentiras e fantasias propagadas no infame texto antissemita “Os Protocolos dos Sábios de Sião”.

Por fim, num trecho surpreendente, vindo de alguém que se apresenta como especialista na área, Paganelli afirma que “antes de ser aliado dos Estados Unidos (na Guerra de 1967, p. ex.), Israel era aliado da União Soviética e de lá comprava armas, assim como o Egito de Nasser”. 
Imagem: print do blog de Magno Paganelli

Eu gostaria de saber do autor em que fábricas na União Soviética foram construídas as aeronaves Avia S-199 Mezek, Supermarine Spitfire, De Havilland Mosquito, Gloster Meteor, Boeing B-17 Flying Fortress, North American AT-6 Texan, North American P-51 Mustang, Dassault Ouragan e Dassault Mystére?


E em que fábricas da União Soviética foram construídos os carros de combate M-3, M-1, M-50 e M-51 (conhecidas por norte-americanos e britânicos como tanques Sherman), Hotchkiss H39 e AMX-13, os veículos blindados Bren Carrier e M3 Half-track e o automóvel Jeep Willys?

Para aqueles não familiarizados com história militar, entre a Guerra de Independência, em 1948, e a Crise de Suez, em 1956, as forças armadas de Israel receberam equipamento tcheco, inglês, americano e francês, contrabandeado por meio da Tchecoslováquia e, depois, comprado nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália e Suécia. E, na Crise de Suez, Estados Unidos e União Soviética ficaram ao lado do Egito, contra Israel, França e Inglaterra.

De onde Paganelli tirou a informação de que nessa época “Israel era aliado da União Soviética e de lá comprava armas, assim como o Egito”?

Se tal opinião inédita é verdadeira, é o furo historiográfico do século! 

Livros serão reescritos!

Fábricas como a Boeing, a North American, a De Havilland e a Dassault eram da União Soviética!

Que revelação espantosa!

As Forças de Defesa de Israel não sabiam que usavam equipamento da União Soviética!

Uma miragem no deserto!

É bom lembrar que 3.500 voluntários judeus e cristãos de 43 países lutaram ao lado de Israel na Guerra de Independência, em 1948. Destes, 1.000 vieram dos Estados Unidos, 1.000 do Reino Unido, 500 da África do Sul, 500 do Canadá e 30 da Finlândia. Estes foram chamados de Mahal, um acrônimo de “voluntários do exterior”. 123 Mahalniks foram mortos em combate.

Pelo menos, em seu texto Paganelli deixou bem clara sua posição. Só faltou ele afirmar (como ironizou meu amigo, o rabi Yehuda Hochman) “que o Rabino chefe das Forças de Defesa de Israel prepara os pães ázimos da Páscoa com sangue de crianças palestinas”.

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BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
Anita Shapira, Israel: uma história (Rio de Janeiro/São Paulo: Paz & Terra, 2018).
Benny Morris, Um Estado, dois Estados: soluções para o conflito Israel-Palestina (São Paulo: Sêfer, 2014).
Shlomo Aloni, Arab-Israeli Air Wars 1947-1982 (Botley: Osprey, 2001).
John Laffin, The Israeli Army in The Middle East Wars 1948-73 (London: Osprey, 1982).
Samuel Katz, Israeli Elite Units Since 1948 (London: Osprey, 1988).

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Autor: Pr. Franklin Ferreira
Divulgação: Bereianos
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O Que Podemos Aprender com a Teologia da Aliança?

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Ao estudar as alianças bíblicas podemos nos enveredar pelos caminhos da história de Israel ou dos elementos escatológicos por trás das profecias. Esses dois pontos explicam o contexto das alianças e sua finalidade, mas não esgotam o tema. Estudar a teologia da aliança é estudar o relacionamento de Deus com seu povo; como o soberano Criador se comunica e quais são os seus planos para os seus filhos. A doutrina do pacto é um dos tesouros da teologia reformada, por isso vou tratar daquilo que podemos aprender com a teologia da aliança. Este será o primeiro passo de nossos estudos.

Aprendemos o que é de fato uma aliança

A grande narrativa bíblica nos diz sobre como Deus criou um povo para si, o redimiu da morte e estabeleceu um reino para que pudesse habitar no meio desse povo. Como podemos ter clareza disso ao ler a Bíblia? A teologia da aliança é a resposta. Deus fez uma aliança, um pacto, com aqueles que elegeu para si. Esse tratado permeia todo o cânon e nos faz refletir sobre a natureza do Senhor e a maneira como ele se revela.

Resposta do Rev. Ageu Magalhães ao Pr. Silas Malafaia

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Neste vídeo o Rev. Ageu Magalhães refuta biblicamente o Pastor Silas Malafaia, referente ao vídeo que Silas divulgou criticando os calvinistas e a doutrina bíblica da predestinação. Assista:



Último vídeo, gravado em resposta ao 3º vídeo de Silas Malafaia:


Irmãos, acabo de assistir ao terceiro vídeo do Silas Malafaia. Muitos me pediram para fazer um novo vídeo respondendo aos ataques, mas não vou fazê-lo pelas seguintes razões:


1. Silas apenas repetiu os ataques dos vídeos anteriores. Nada de novo. Os mesmos ataques.

2. A Bíblia nos ensina que “é necessário que o servo do Senhor não viva a contender” (2Tm 2.24). Eu não vou passar o resto da vida respondendo a ele. Deus me deu outras responsabilidades.

3. Eu tinha esperanças (e orei por isso) para que os meus vídeos, de alguma forma, o fizessem rever sua linguagem e sua postura. Mas não aconteceu, infelizmente.

4. Os argumentos que refutaram os ataques dele quanto à doutrina bíblica da Predestinação estão disponíveis na rede e podem ser vistos pelos que têm dúvidas aqui:


Enfim, é triste ver alguém que acaba “representando” o povo evangélico perante a mídia, mas não se parece com nosso Senhor Jesus Cristo. Infelizmente, ele não muda o tom, a ironia, o sarcasmo e o jeito debochado de atacar.

Que Deus tenha misericórdia dele e abra os olhos daqueles que o seguem: Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. Tiago 3.13-18. Que Deus abençoe a todos.

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Autor: Rev. Ageu Magalhães
Fonte: Página oficial do autor no Facebook
Divulgação: Bereianos
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Falsos Mestres, um “Câncer” Dentro da Igreja

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Zelo espiritual é uma qualidade indispensável ao verdadeiro pregador da Palavra de Deus. No entanto, esse mesmo zelo tem sido usado por falsos mestres moralistas e farisaicos com fins espúrios. É por isso que os falsos líderes são tão amados e admirados. Eles exercem suas funções eclesiásticas levantando a bandeira do zelo pelas coisas sagradas, quando na verdade, são lobos vorazes em pele de cordeiros. 

Sábado e o Pentecostes

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Uma coisa que muitas vezes nos escapa na narrativa de Atos sobre o derramamento do Espírito Santo é que isso aconteceu em um domingo. Pentecostes era um sábado celebrado em uma santa convocação no primeiro dia da Semana. Lembrando que o termo Shabbath, traduzido muitas vezes por sábado, significa descanso. Em Lv 23.15-22 encontramos a instituição da festa das semanas ou pentecostes (cf. Dt 16.9-12). Os judeus precisariam contar sete sábados (sétimo dia) após a páscoa, totalizando 49 dias, e contar o dia seguinte, necessariamente um domingo, para celebrar o sábado (descanso) de pentecostes. Em Atos 2 nós encontramos a igreja reunida no dia de pentecostes, 49 dias após a páscoa de Jesus Cristo, portanto sete vezes sete, mais um dia, assim, sete semanas após a ressureição de Cristo! Isso não parece ser aleatório, mas aponta para a completitude da obra da Redenção.


A igreja estava reunida no domingo, sete semanas após a ressureição, mantendo a tradição das aparições do próprio Cristo ressurreto (Jo 20.1;19; 26). E neste domingo, Jesus aparece mais uma vez para derramar o Espírito Santo cumprindo a profecia de Joel 2.28-32. Essa profecia anuncia o grande dia do Senhor (ἡμέραν κυρίου), que é anunciado pelo derramar do Espírito Santo no dia do Senhor (κυριακῇ ἡμέρα), o domingo. Portanto, nesta narrativa nós temos o domingo, dia do Senhor, como o completar da obra de Redenção e capacitação de Cristo, e também o anúncio da vinda de Cristo no grande Dia do Senhor, quando ele virá julgar o mundo e buscar sua noiva para o Eterno Sábado (descanso) que ele tem preparado para a igreja.

Adoremos ao Senhor neste santo dia que ele separou de forma tão maravilhosa e descansemos, como ele descansou, para aguardar aquele grande dia que descansaremos num eterno Shabbath. Maranata!

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Autor: Rev. Ronaldo Vasconcelos
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Sobre a “ADO 26 - Criminalização da Homofobia”

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Neste vídeo os advogados Thiago Vieira e Jean Regina, especializados em Direito Religioso, discorrem sobre a equivocada decisão do STF em relação a criminalização da homofobia (ADO 26). Tal conclusão da mais alta corte coloca em risco os direitos e garantias constitucionais fundamentais da grande maioria dos brasileiros os quais professam a fé cristã, bem como todos aqueles que se posicionarem discordando das práticas homossexuais e até mesmo as pesquisas acadêmicas que contestem a homossexualidade de alguma forma. Assista!

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Notas:
1 - Leia, na íntegra, a decisão do STF - ADO26, aqui!
2 - Pesquisa que refuta os dados do Grupo Gay da Bahia em relação aos assassinatos de gays no Brasil, veja aqui!
3 - Sobre o processo que visa restringir a liberdade de pesquisa acadêmica, veja aqui!

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Autores: Thiago Vieira e Jean Regina
Fonte: Direito Religioso
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Encontrando a Cristo nos Dez Mandamentos: Não terás outros deuses

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Nota do editor: Nesta série refletiremos nos Dez Mandamentos à luz da obra de Cristo Jesus.

A tarefa de encontrar a Cristo em cada texto bíblico é um requisito inevitável para uma pregação fiel ao mandato bíblico, mas é uma tarefa muito complexa. Há formas legítimas e ilegítimas de conectar um texto com Cristo.

Este é o primeiro de uma série de artigos que apresentam formas legítimas de conectar cada um dos Dez Mandamentos com Jesus Cristo. O método expositivo se enfoca primariamente em apresentar o significado original de cada mandamento e logo ver como a Bíblia mesma continua desenvolvendo o propósito do dito mandamento através da história redentora de Deus em Cristo. Este é o que em termos técnicos é chamado de teologia bíblica.

Um mandato à devoção exclusiva de Yahveh

"Não terás outros deuses diante de mim." (Ex 20:1-3)

O primeiro mandamento exige uma adoração exclusiva ao único Deus verdadeiro. Este mandamento busca criar uma unidade inquebrantável entre Deus e Seu povo. Deus não quer compartilhar a adoração que corresponde somente a Ele com outros deuses. Tal como dito em Isaías: "A minha glória, pois, não darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura." (Is 42:8). Deus está aproximando-se de Seu povo através destes mandamentos e nos chama a um amor marcado por lealdade: Não terás deuses estranhos diante de mim.

A devoção exclusiva se faz mais específica em Cristo

Como, então, podemos chegar a ligar este primeiro mandamento com a pessoa e obra de Jesus Cristo? A chave está em sustentar este tema bíblico (a exclusividade na adoração) e persegui-lo em seu desenvolvimento orgânico na revelação bíblica até chegar ao Novo Testamento.

Antes de Cristo, a obediência a este mandamento para Israel significou abster-se de toda lealdade, devoção ou confiança em deuses estranhos a Yahveh. Mas com a chegada do Messias, Deus foi revelado mais claramente como o Deus Trino e Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, digno de toda a adoração.

Pensemos seriamente nisto. Desde o princípio os discípulos de Jesus Cristo o adoraram de forma explícita. Por exemplo, Pedro (Mt 16:16; 1Pe 3:15), Tomé (Jo 20:28), João (1Jo 5:20), Paulo (Fp 2:6-11) e muito mais (Mt 2:11). Como bons judeus, os discípulos de Jesus sabiam que esta adoração constituiria uma transgressão clara do primeiro mandamento, tal como os fariseus expressaram: "Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes a Deus a ti mesmo." (Jo 10:33).

Mas claramente tanto Jesus como os discípulos estavam convencidos de que adorar ao Filho de Deus não violava o primeiro mandamento e mais, eles estavam convencidos de que as mesmas Escrituras os guiavam à adoração do Messias. Os fariseus que se apegavam a uma visão de Deus que excluía a adoração a Cristo foram confrontados diretamente. Jesus lhes disse: "Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai." (Jo 8:19).

Com o progresso da revelação bíblica "Não terás deuses estranhos diante de mim" chegou a significar mais especificamente que só podemos adorar a Deus através de Cristo: "Ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14:6).

Um mandato à devoção exclusiva de Cristo

Em conclusão, o Novo Testamento claramente ensina que a devoção exclusiva de Deus (o primeiro mandamento) é expressada de maneira final em uma devoção exclusiva a Jesus Cristo, Deus Filho feito Homem.

De fato, qualquer que não adora exclusivamente a Cristo não está adorando a Deus "Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai." (1Jo 2:23). Se adoramos a Cristo, adoramos a esse Deus que nos ordenou uma devoção exclusiva e que nos comprou com Seu sangue para sermos seus por toda a eternidade (At 20:28).

A consumação do plano redentor de Deus culmina em uma canção de adoração em que toda a criação adora ao Cordeiro de Deus que foi imolado, a dizer, Jesus (Ap 5:9-13). Neste dia final se obedecerá perfeitamente ao primeiro mandamento e tal obediência será cristocêntrica, portanto, sejamos no dia de hoje zelosos na adoração exclusiva de Deus em Cristo e afastemo-nos dos ídolos.

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Sobre o autor: Luis David Marín é pastor da Iglesia Bautista Highview em espanhol. Ele está felizmente casado com Emma. Obteve uma Licenciatura em Estudos Bíblicos no Seminário Bíblico Río Grande e está terminando um Mestrado em Divindades no Seminario Teológico Bautista del Sur. Anteriormente se desempenhou como plantador de igrejas com a Convencion Bautista del Sur e também serviu vários anos em ministérios universitários.
Tradução: Rafael Corrêa
Divulgação: Bereianos
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O problema teológico com a tal justiça social de Tim Keller

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A Igreja começou a abraçar amplamente a chamada justiça social, e muito disso é graças ao livro de Tim Keller, Generous Justice: How God’s Grace Makes Us Just.[1]

Certamente há muitas coisas boas no livro de Keller – a maior delas é o seu chamado para que a Igreja busque a justiça. No entanto, acho que Keller comete alguns erros graves quando se trata de identificar o que é a justiça, e como se deve buscá-la. Isso é mais óbvio em sua discussão sobre os aspectos econômicos da justiça social (às vezes chamada de “justiça econômica”).

Deus no tempo

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No Natal, nós celebramos algo maravilhoso: Deus adentrando em nosso tempo e espaço. O eterno torna-se temporal; o infinito, finito; a Palavra que criou todas as coisas tornou-se carne.

Encarnação 

Oh, quão misterioso é tudo isto! Aquele que sabe todas as coisas (João 16:30, 21:17) “cresceu em sabedoria” (Lucas 2:52). O Autossuficiente teve fome e sede (Mt. 4:2, João 19:28).  O Criador de tudo não tinha casa (Mt. 8:20). O Senhor da vida padeceu e morreu. Deus encarnado foi desamparado por Deus Pai (Mt. 27:46).

Deixando “R.I.P.” descansar em paz

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Eu tenho grande admiração pelos não cristãos que contribuíram para a melhoria da sociedade através das suas invenções, produção, liderança, literatura e arte. Recentemente, minha esposa e eu estávamos refletindo a respeito das notáveis maneiras pelas quais os trabalhos de Steve Jobs ajudaram a mudar o mundo em que vivemos. Eu amo muitas das belas obras de arte e música que foram produzidas por artistas seculares e, eu não quero, nem por um segundo, crer que devemos nos isolar do uso e desfrute das contribuições dos autodeclarados descrentes no mundo que nos cerca. Caso contrário, como declarou o apóstolo Paulo, teríamos “de sair do mundo” (1Co 5.10). Existe um princípio de graça comum em ação no mundo, pelo qual Deus permite que homens beneficiem uns aos outros, tornando a vida neste mundo caído um pouco menos dolorosa do que, de outra forma, ela seria.

Dito isto, tenho notado uma tendência preocupante nos últimos anos. Trata-se da maneira pela qual os crentes falam a respeito dos indivíduos que causam impacto na cultura com as suas mortes. Em vez de simplesmente expressarem apreço por suas vidas e realizações, tornou-se lugar-comum para os cristãos usar nas redes sociais a abreviatura R.I.P (“Rest In Peace”), ao falar sobre a morte desses indivíduos – em cujas vidas não houve evidência de graça salvífica. Correndo o risco de parecer mal-humorado, gostaria de expor algumas razões pelas quais estou preocupado com essa tendência.

Primeiro, quando empregamos a abreviatura R.I.P., estamos, inevitavelmente, admitindo uma condição ou estado inseparavelmente ligado à ideia de vida após a morte. Não estamos falando de algo indiferente à verdade do porvir. Alguém poderia retroceder neste ponto, sugerindo que R.I.P. nada mais é do que uma maneira de expressar apreço pelas realizações de uma pessoa. Contudo, enquanto certas palavras e frases podem ser fluidas em seu significado (por exemplo, “adeus” assumiu um significado diferente do seu antigo sentido em inglês: “Deus esteja com você”), “descanse em paz” dá a sensação de que o falecido está “num lugar melhor” – um lugar de descanso e paz. Se nos preocupamos com a salvação eterna dos homens, e se eles estão ou não confiando em Cristo somente para a vida eterna, então, devemos evitar, cuidadosamente, dar a impressão de que acreditamos em qualquer forma de universalismo.

Segundo, como cristãos, devemos nos revoltar com a ideia de “orar pelos mortos”, uma vez que não há uma única gota de apoio bíblico para tal ideia. Quando dizemos “descanse em paz”, corremos o risco de dar a impressão de que estamos orando pelo falecido – seja por autodenominados incrédulos ou por crentes autodeclarados. Por si só, isso deveria nos fazer dar uma pausa para decidirmos abandonar a prática.

Terceiro, as Escrituras ensinam, de maneira muito clara, a natureza onerosa tanto da paz como do descanso. A narrativa bíblica é sobre o descanso redentivo que Deus prometeu conceder através da vida, morte, ressurreição, ascensão, intercessão e retorno de Cristo (Mt 11.28-30; Hb 4.1-10). O descanso escatológico que Jesus adquiriu para os crentes lhe custou o preço do seu sangue (1Co 6.20; 1Pe 1.19). Além disso, as Escrituras são claras sobre não haver paz para os perversos (Is 48.22; 57.21). O Senhor advertiu através dos profetas, a respeito da mensagem dos falsos profetas: “Paz, paz; quando não há paz” (Jr 6.14; 8.11). As Escrituras deixam bem claro que Deus comprou a paz apenas “pelo sangue da sua cruz” (Cl 1.20). O descanso e a paz pelos quais devemos passar – tanto para nós como para os que nos rodeiam – estão fundamentados na natureza da Pessoa e morte expiatória de Jesus. Se os homens passaram a vida rejeitando o Evangelho e não professaram a fé em Jesus, não deveríamos lhes oferecer paz e descanso póstumos. Isso coloca em risco a natureza da exclusividade de Jesus e do Evangelho – mesmo que esta não seja a nossa intenção.

Isto não quer dizer que os crentes devem ser apressados ou sem caridade na maneira como falam da morte daqueles que, provavelmente, morreram em incredulidade – ou que devemos falar de tal maneira que indique que sabemos com certeza aonde alguém foi quando morreu. Seguramente, temos consolo e alegria quando alguém que professou fé em Cristo – e em cuja vida houve fruto de que ele estava em Cristo (Mt 7.16,20), deixou esta vida. É o grande conforto dos crentes saber que os seus irmãos estão agora “descansando em paz”, que eles “descansam em Jesus” (1Ts 4.14). O Antigo Testamento fala dos crentes como sendo “reunidos ao seu povo” na hora da morte (Gn 25.8,17; 35.29; 49.29,33). Isto é reservado apenas para os crentes. Isto está em contraste com o modo como as Escrituras falam dos incrédulos em suas mortes. No entanto, quando perguntados sobre aqueles que nunca professaram fé em Cristo – alguém que passou a maior parte de sua vida aderindo a alguma religião falsa em particular – devemos lembrar que nenhum de nós conhece o que Deus, o Espírito Santo, faz nos corações de homens e mulheres momentos antes das suas mortes. Nenhum de nós sabe se a graça regeneradora de Deus veio no momento final; e, portanto, devemos apenas procurar, agora, alertar os vivos a respeito da ira, com o objetivo de manter a esperança da graça redentiva em Cristo.

Em dias nos quais a doutrina bíblica do inferno desapareceu virtualmente dos púlpitos em todo lugar, e as convenções sociais do nosso tempo exigem uma linguagem aparentemente mais agradável do que aquela que as Escrituras exemplificam e exigem, devemos proceder com um grande exame pessoal do que estamos dizendo e a razão de estarmos dizendo o que estamos dizendo. Devemos pesar as implicações do nosso discurso, tanto na forma verbal e escrita, lembrando que o mesmo Jesus que disse “vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.28-29), também disse, “que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mt 12.36).

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Autor: Nick Batzig
Fonte: Reformation 21
Tradução: Rev. Alan Rennê
Divulgação: Bereianos
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Antônio Carlos Costa: um protestante em convulsão

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O pastor Antônio Carlos Costa, pastor presbiteriano no Rio de Janeiro, fundador e presidente da ONG Rio de Paz, publicou na manhã de hoje [30/10] um vídeo no qual afirma que as igrejas evangélicas brasileiras necessitam de uma nova Reforma. Abaixo farei um breve resumo do vídeo, seguido de uma crítica às afirmações de Costa.

O amor e o ódio: quem ama, odeia

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Foi realizado hoje, 25/10, um "culto de oração", organizado por um grupo de evangélicos de orientação esquerdista, apoiadores de Fernando Haddad. A programação teve como tema "O Amor Vence o Ódio".

O tema foi escolhido em função do atual clima político do Brasil, e parte do pressuposto que os eleitores de Jair Bolsonaro são apoiadores de alguém que pratica o que, hoje em dia, é chamado de "discurso de ódio". Qualquer afirmação que contrarie o que a agenda esquerdista propõe é, imediatamente, rotulada como "discurso de ódio". Como bem observou o Pr. Augustus Nicodemus, "aquilo em que acreditamos começa a ser rotulado de ódio. Se afirmarmos a família, temos ódio contra os homossexuais; se afirmarmos a vida, somos contra a mulher que tem o direito do aborto; se afirmarmos a defesa própria, é discurso de ódio contra os criminosos, porque deve haver direitos iguais" (Caminhos da Fé. p. 41).

A incoerência do discurso dos evangélicos progressistas está em que, sua mensagem é a de que o ódio é, intrínseca e moralmente, errado. Se alguém diz ser discípulo de Jesus, então, a única coisa que lhe cabe é o amor. Não obstante, qual é o sentimento que, na prática, é nutrido e posto em obras da parte dos progressistas para com aqueles que, de acordo com eles, praticam o "discurso de ódio"? Amor? Tolerância? Não. Longe disso! É ódio! E o ódio se traduz, de modo claro, em agressões, insultos e até mesmo espancamentos. Hoje mesmo, aqui em São Luís, ao tentar apresentar uma palestra sobre o que é o fascismo, um católico conservador foi objeto do ódio de universitários esquerdistas, que o xingaram, cuspiram e pouco faltou para que o agredissem fisicamente.

Um segundo problema com o discurso progressista de que "o amor vence o ódio" é o pressuposto de que amor e ódio são mutuamente excludentes. Quem ama não odeia. E quem odeia não ama. Alguém cheio de ódio é alguém vazio de amor, e vice-versa. Se eu me coloco de modo contrário à ideologia de gênero, é porque eu não amo gays, lésbicas, transsexuais etc. Pelo contrário, eu os odeio. Esta é a lógica da esquerda evangélica.

Há um dito atribuído a Érico Veríssimo, que diz assim: "O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença". Eu sou inclinado a concordar com a afirmação inicial. O oposto do amor não é o ódio. De modo bem interessante, em 1 Coríntios 13, não encontramos a declaração de que o amor não odeia. O apóstolo Paulo diz sobre o amor: "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (vv. 4-7). Perceba, o ódio não figura entre as posturas e sentimentos incompatíveis com o amor.

Existem algumas passagens nas quais amor e ódio são mencionados e, aparentemente, figuram como antagônicos entre si. No Salmo 109.5 está escrito: "Pagaram-me o bem com o mal; o amor, com ódio". Esta passagem é suficientemente clara. Amor e ódio não são antagônicos um ao outro. O que está sendo afirmado aqui é apenas o princípio por trás da conhecida regra de ouro: Faça aos outros aquilo que você quer que façam a você. Se você tem sido beneficiado com o amor de alguém, então, retribua com amor. Se alguém te faz o bem, retribua com o bem, não com mal. Em Provérbios 10.12 está escrito: "O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões". Nesta passagem, amor e ódio também não devem ser vistos como inimigos. O que o autor está afirmando é o princípio envolvido no ódio pecaminoso, gratuito. Para poder interpretar esta passagem como que ensinando que amor e ódio são absolutamente incompatíveis, eu necessito partir do pressuposto que todo e qualquer ódio é, por necessidade, pecaminoso, mal, vil, perverso, maligno. No entanto, as Escrituras não me permitem fazer isso.

Em Apocalipse 2.6, um dos elogios que Jesus faz à igreja de Éfeso foi o seguinte: "Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio". De antemão afirmo que o versículo está traduzido da maneira correta. O verbo grego miséô significa mesmo "odiar". Existem algumas passagens neotestamentárias em que o verbo assume o significado de "amar menos", como em Lucas 14.26. No caso, o verbo faz uma comparação entre nossa afeição a Deus, que deve estar acima de tudo e de todos, e nossa afeição aos nossos pais, irmãos, filhos etc. Mas em Apocalipse 2.6 o objeto do verbo é o pecado. No caso, "as obras dos nicolaítas", que nada mais eram do que a imoralidade, a idolatria e a perversão da verdade, como nos diz Simon Kistemaker (Apocalipse. p. 159). G. K. Beale faz o seguinte comentário sobre "as obras dos nicolaítas": "Provavelmente os nicolaítas ensinavam que os cristãos poderiam participar da cultura idólatra de Éfeso. A cidade fora dominada pelo culto à deusa Artemis, deusa da fertilidade, e seu templo tinha milhares de sacerdotes e sacerdotisas com pesado envolvimento na prostituição" (Revelation: A Shorter Commentary. p. 57). Dessa forma, Jesus não está elogiando a igreja de Éfeso por "amar menos" aquilo que é pecaminoso. Em vez disso, Jesus aprova que aqueles cristão, de modo ativo e intenso, detestem o pecado ensinado e promovido pelos nicolaítas. Ademais, que os evangélicos esquerdistas atentem bem para isto: Jesus diz: "eu também odeio". Jesus odeia. E nem preciso dizer que em Jesus não existe pecado, não é mesmo?

Em 1 João 4.20 a Palavra de Deus diz: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê". O princípio é óbvio: quem ama a Deus também ama a seu irmão. Quem odeia a seu irmão, não ama a Deus. Quem odeia a seu irmão também odeia a Deus. A pergunta é: quem é o meu irmão? Não vou entrar na questão da paternidade de Deus, pois aqui já temos informação suficiente para que os evangélicos esquerdistas rilhem os seus dentes por longos anos.

O fato é que o ódio também pode ser compreendido como uma função do amor. Sim, é isto mesmo que você leu. O ódio é uma função do amor. Ora, qualquer coisa que coloque sob ameaça aquilo que é o objeto da minha afeição mais elevada, do meu amor mais intenso, será, automaticamente, objeto do meu ódio, da minha repulsa mais intensa. De igual modo, se eu amo a pureza, então, eu também odiarei a impureza. Se eu amo a santidade, odiarei a iniquidade. Se amo a justiça, odiarei a injustiça. Por amar a Deus acima de todas as coisas, qualquer coisa que ofenda ao objeto do meu amor será objeto do meu ódio. Como Davi, no Salmo 139, pôde dizer que odiava com ódio consumado determinadas pessoas? Ele explica: "Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato" (vv. 21-22). Davi não odiava quem o odiava. Davi odiava quem odiava aquele a quem ele amava de todo o seu coração. Mas nem por isso ele se dava por justificado. Ele, sabendo da inclinação do seu coração, ainda pediu a Deus o sondasse e o livrasse de todo e qualquer caminho mau (vv. 23-24).

O nosso grande perigo é odiarmos aquilo que deve ser objeto do nosso amor e amarmos aquilo que devemos odiar. Quando o Senhor inicia em nós o processo de santificação, ele está nos moldando segundo a imagem de Jesus (Romanos 8.29), a fim de amarmos cada vez mais aquilo que é amável e odiarmos cada vez mais aquilo que é odioso. Por amarem tanto uma ideologia, esquerdistas odeiam aqueles que defendem a fé cristã histórica.

Quem ama a Deus, odeia o pecado.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Uma agenda para o voto consciente

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“Eu tenho ouvido: ‘Não traga a religião [cristã] para a política’. É precisamente para este lugar que ela deveria ser trazida e colocada ali na frente de todos os homens como um candelabro” (C. H. Spurgeon).

Como se costuma dizer, “a política é o espaço do bem comum”, frase que pode ser entendida como uma forma de praticar o amor cristão. Afinal, é pela ação política que muitas pessoas no país podem ser beneficiadas pelo bem e pela justiça. Mas para que isso aconteça, é necessário que a prática política esteja fundamentada em valores éticos. Além disso, a transformação da conjuntura social de acordo com a cosmovisão cristã é, também, uma forma de evangelizar. Portanto, com o objetivo de propor o voto consciente e responsável aos cristãos, sugerimos alguns elementos que deverão ser considerados na hora da sua escolha eleitoral:

Olavo continua refutado

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Neste vídeo o Pr. Yago Martins refuta (novamente) Olavo de Carvalho (e Bernardo Küster) no vídeo "Yago Martins e as fés protestantes". Será mesmo que Olavo e Küster tem razão? Assista o vídeo e tire suas conclusões:


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Autor: Pr. Yago Martins
Fonte: Dois dedos de Teologia
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Porque Abandonei a Igreja Sensível ao que Busca

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Comecei a pastorear em setembro de 1994 - bem no meio da loucura do movimento “seeker-sensitive” (sensível ao que busca). As duas primeiras igrejas em que trabalhei estavam 100% comprometidas com o programa. Nós éramos contemporâneos, tínhamos foco, boa sinalização e todos os nossos valores centrais começavam com a letra "G"¹ - éramos tão amigos dos interessados quanto era humanamente possível.


Ambas as igrejas fecharam e o próprio movimento parece estar em declínio terminal.

Por que não sou olavete - resposta ao artigo “por que não sou evangélico”, de Olavo de Carvalho

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Neste vídeo o Pr. Yago Martins refuta Olavo de Carvalho em seu artigo "Por que não sou evangélico", divulgado em seu blog pessoal e Facebook. Será mesmo que Olavo tem razão neste assunto? Assista o vídeo e tire suas conclusões:


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Autor: Pr. Yago Martins
Fonte: Dois dedos de Teologia
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Refutando a luterana abortista com 11 argumentos

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No dia 06/08 a pastora Lusmarina Campos, representando o Instituto de Estudos da Religião (ISER) do Rio de Janeiro, defendeu a descriminalização do aborto no Brasil na Audiência pública do STF. Impregnada de teologia liberal, ela distorceu totalmente o ensino bíblico a fim de validar sua posição favorável ao aborto. Alisto abaixo 11 argumentos em refutação ao seu discurso.

1. Ela disse que “os principais argumentos levantados contra a descriminalização do aborto são religiosos”. De fato, para um cristão verdadeiro, o principal argumento contrário ao aborto é que a vida é sagrada, porque não pertence a nós, mas a Deus. Porém, é falacioso dizer que os melhores argumentos são religiosos, como se fosse uma discussão restrita a este campo. É conhecido e divulgado que juristas, biólogos, médicos e cientistas em geral se opõem ao aborto por questões humanitárias, de defesa da vida e dos direitos do nascituro.