Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 3)

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Depois de nosso primeiro artigo respondendo ao artigo ‘Dez Coisas Que Você Jamais Poderia Votar a Favor Enquanto Segue a Jesus’, do blog Evangelho Social, recebemos uma ‘resposta’[1]. Este texto é uma réplica a ela.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Antes de mais nada, há coisas a serem esclarecidas. Algumas confusões foram feitas e precisam ser aclaradas. A primeira coisa a ser dita é que o autor do Evangelho Social[2] lisonjeou-se pela referência que o Bereianos fez a ele e a seu site, e ficamos com a impressão de que ele entendeu que os proprietários do blog ou mesmo nós, o autor do artigo em resposta a seu texto, fôssemos ávidos leitores ou tivéssemos dado alguma relevância para o artigo que ele escreveu. Como colocamos no início da primeira resposta, só consideramos seu texto por servir como ótimo catálogo para as falácias do chamado ‘progressismo cristão’[3] e por ter sido amplamente divulgado por amigos e conhecidos cristãos[4]. Por isso, se for o caso, take it easy, companheiro!

Uma segunda consideração preliminar diz respeito à reclamação de termos o ofendido com palavras como ‘canalha’ e ‘energúmeno’. Confessamos que nossos textos, não raro, são ácidos e possuem palavras duras. Entretanto, não conseguimos enxergar qualquer pecaminosidade nessa atitude. Podemos explicar o procedimento, e foi bom que isso tenha sido levantado pois pode evitar que sejamos mal interpretados novamente. Inicialmente, é preciso distinguir entre usar um termo ofensivo tão somente com valor retórico, objetivando unicamente ofender e provocar; e usar um termo ofensivo como um adjetivo adequado para qualificar uma atitude. Se alguém é pego mentindo, a repreensão adequada inclui chama-lo de mentiroso. Se outro conversa de forma hipócrita, é adequado denunciar sua hipocrisia no diálogo. E assim por diante. O importante é que qualquer termo usado assim apresente os referenciais, as razões adequadas para seu uso. Quando chamamos o autor do ES de canalha e outras coisas o fizemos após ou antecipando a demonstração que diz respeito ao adjetivo. Ou seja, quando dissemos que havia uma atitude canalha, apontamos a canalhice[5]. Esse procedimento é, não só legítimo moralmente, como foi um proceder do próprio Jesus![6] Só há real escândalo com isso quando se pensa como um esquerdista, comprando o discurso mimado e vitimista de nossos tempos[7].

Dito isso, temos que apontar a enorme hipocrisia do autor declarar-se, de alguma forma, vituperado com as expressões. A discussão política já é, quase que por definição, acalorada. Não bastasse isso, seu texto faz constantes alusões à imaturidade espiritual e intelectual dos cristãos que posicionam-se de forma incoerente à que ele propõe. Pior, ele afirma, se seguirmos seu raciocínio, que nem mesmo são cristãos os que não adotam sua agenda política e moral[8]. Ainda por cima, faz uma evidente provocação no final do texto quando aponta o apoio político ao Jair Messias Bolsonaro como o acúmulo de toda ignorância bíblica e moral já denunciadas nos pontos anteriores. É claro que está no direito de fazer tais alegações. Porém, são duras e, ao fazê-las, tem que arcar com as críticas igualmente pesadas pelo próprio teor das alegações e da estirpe de assunto tratado.

E não adianta nada dizer que escreveu apressadamente ou que só queria dar uma opinião. Pode-se dar uma opinião ou mesmo escrever um texto curto sem cometer tantas desonestidades intelectuais (que, aliás, são repetidas nesta tréplica). Usar palavras de conotação dúbia e ambígua é um exemplo do que não se pode fazer, mesmo em um texto curto. E, também, de nada vale dizer que não queria escrever algo de cunho tão teológico. Primeiro que muitos erros que apontamos foram lógicos. Nessa esteira, apontamos erros filosóficos na porção que fala sobre ‘impor a religião a outras pessoas’. Portanto, não foi nem teológico, nem filosófico, nem coerente e nem nada. A escrita é agradável e flui bem. As posições são exatamente as tomadas pelos esquerdistas e progressistas de confissão cristã ou com afinidade à figura de Jesus[9]. E a coisa piora quando observamos que o texto está prenhe de referências e conceitos teológicos. Ele é teológico do início ao fim. Faz referência e interpretações dos atos de Jesus, das Escrituras e de conceitos como ‘amor ao próximo’ e afins. Se quis falar sobre isso e achou que não tinha intenções teológicas, o autor está muito distante de entender o que é teologia. Honestamente, nenhuma surpresa.

É claro que a forma que falamos pode ser feita, com as mesmas palavras, de maneira pecaminosa. Mas um texto enxuto de qualquer termo que possa ofender o outro ainda pode ser feito com os mesmos pecados. Estamos pensando, particularmente, na escrita soberba, que quer mostrar erudição e cultura; ou na escrita que visa tão somente humilhar ou derrotar o adversário, não se preocupando nem com sua instrução, nem com a instrução aos demais, nem com a glória de Deus ou com a verdade.[10] Podemos apenas alegar, sem poder provar, que nossa intenção é buscar expor as razões de nossa posição, a glória de Deus e a instrução de todos os leitores. Seja como for, se não formos cridos aqui, nossos argumentos ainda permanecem de pé.

Aliás, falando em permanecer de pé e em canalhice, temos que encerrar essas considerações observando a grande picaretagem do texto resposta. Se considerarmos a estrutura do que foi respondido, ficará evidente que os argumentos principais permanecem de pé ainda que cedêssemos aos argumentos da tréplica. Mas nem é preciso tamanha perspicácia para perceber que o que esteve nesta resposta ao nosso texto foram extensões de pontos adjacentes, escolhidos arbitrariamente (até que se prove o contrário), para dar a impressão aos leitores incautos ou pouco treinados em celeumas de que nosso texto foi refutado. Essa é a estratégia sofista de levantar poeira, ou a ‘bomba de fumaça’ para distrair o leitor (ou a própria consciência do autor do ES) do que realmente precisa ser discutido. Sendo ainda mais claro, o texto lida com duas notas de rodapé que escrevemos – uma sobre Evangelho Social e outra sobre doutrina da Adoção – e com a questão da legislação LGBT. A única porção que realmente dialoga – e de forma grosseira, sem lidar com os pontos- com nossos argumentos é a última que nos referimos. E quanto aos outros pontos? Foram, já, admitidos? Acredito que não. Mesmo assim, foram ignorados para que o autor tentasse lidar exclusivamente com os pontos em que ele acha que pode ‘vencer’ e, assim, tentar desqualificar todo o resto como que por atacado.

Para deixar claro o que estamos falando, podemos mapear nosso texto e demonstrar como toda a sua estrutura foi ignorada. A) Falamos que a definição que ele dá de cristão é genérica e ambígua; B) que ser odiado pela sociedade enquanto fiéis às Escrituras não só não é errado como é o esperado[11]; C) falamos sobre sua linguagem ser ambígua e evasiva, buscando mais um efeito-gatilho[12]; D) que Jesus condenava o homossexualismo enquanto reproduzia a moral vétero-testamentária; E) sobre as razões de não ter havido condenação explícita à prática homossexual da parte dos discursos de Jesus; F) [então] sobre a falácia de entender que o que Jesus não condenou nos Evangelhos não considera condenável; G) desmentimos o cacoete de que, por ir à casa de pecadores[13], Jesus não ‘discriminava’ e ‘incluía’ a todos, mostrando que ele não deixava de os condenar; H) que ser manso não implica em não apontar os pecados e lutar contra a corrupção moral de forma árdua; I), que respeito e tolerância têm seus limites definidos pelos valores que uma visão de mundo adota; J) que não é sempre bom dar total liberdade ao próximo se realmente nos importamos com ele – não de uma perspectiva cristã;  K) que se pode ser livre em sociedade de forma a não afetar ninguém com nossas atitudes; L) o fato de Jesus ser o príncipe da Paz não significa que ele seja pacifista; M) que o autor argumenta pressupondo a neutralidade no pensamento, e que tal neutralidade é falsa; N) que pessoas de outras visões de mundo podem aceitar os valores da nossa visão de mundo; O) que devemos e podemos defender esses valores em debate público; P) que toda proposta política está arraigada em uma cosmovisão e que, portanto, quer queiramos quer não, haverá ‘imposição’ de valores da cosmovisão que conseguir sair vitoriosa no debate público[14] sobre os que pensam diferente. Com quantos desses pontos o autor dialogou? Com praticamente nenhum! Pode seu artigo ser considerado uma resposta ao nosso? No máximo uma tentativa de ‘reparar algumas arestas’.

Dito isso, mostremos que nem mesmo nos pontos levianamente escolhidos nosso crítico pode prevalecer. Quanto mais ele escreve, mais se enforca.

DEFINIÇÃO DE EVANGELHO SOCIAL

O autor nos acusa de termos sido superficiais – quando apenas comentávamos, de forma declaradamente breve e, ainda por cima, numa nota de rodapé (!) –, equivocados e até mentirosos ao falarmos sobre Evangelho Social. Além de repetir o erro do primeiro texto, em que se vale de termos que evidentemente têm conotação diferente para posições diferentes da sua, demonstra enorme despreparo acadêmico ao usar uma referência a algum Mondin sem indicar a referência bibliográfica. E tudo é um desastre ainda maior quando evidenciarmos que, aparentemente, o autor desconhece, na melhor das hipóteses[15], a tradição que arroga o nome de Evangelho Social. Pretendemos, mais uma vez, dissecar cada besteira dita pelo dito cujo e, por isso, podemos ser maçantes. Mas julgamos valer a pena. Acrescentaremos ao itinerário anunciado à essa seção uma análise dos textos usados para definir reino de Deus e uma breve consideração sobre o que é o conceito realmente bíblico a seu respeito.

Portanto, a primeira tarefa é demonstrar o uso inadequado de expressões. Não é de agora que o discurso dos esquerdistas almeja o monopólio das virtudes[16]. Entendendo as palavras como se tivessem um único e inequívoco significado podemos compreender tal o porque agem assim. ‘Justiça’ para eles é traduzido em termos de ‘igualdade’ e, portanto, qualquer concepção de justiça que não inclua as pessoas terem as mesmas coisas, de alguma forma, por alguma razão, pode parecer-lhes algo muitíssimo estranho. Noções como ‘desigualdade justa’ são categorias de pensamento que simplesmente não compreendem. Isso fica evidente na associação imediata que ele faz entre grandes desigualdades e a dicotomia miserável e pessoas que desperdiçam comida. E nem percebem as gritantes contradições de seus anseios por igualdade a todo custo[17].

Mas há tantas outras reivindicações que realmente não fazem sentido. Ele diz que buscam o Reino de Deus. Mas qual tradição cristã não arroga a mesma coisa, embora difiram no que concebem como Reino de Deus e como alcançá-lo?  Fala que são contra o racismo. Mas é preciso abraçar pautas progressistas para o ser? É claro que sim, quando se entende que combater o racismo é adotar um linguajar politicamente correto e paranoico que quer criminalizar até mesmo pronunciamento de expressões como ‘samba do crioulo doido’ ou ‘a coisa está preta’; ou quando se entende que combater o racismo é ser a favor de cotas raciais ou mesmo de respeito e divulgação da cultura africana[18]. Diz que é contra a violência. E qual tradição cristã diz que é a favor? Mas, por ‘violência’ ele inclui qualquer ato de juízo, reprimenda e até mesmo auto-defesa. Em outras palavras, se você não for pacifista, na mente pequena de um esquerdista como ele, é a favor da violência. Diz, também, que é contra a discriminação da mulher, bem como violência contra ela. E não é que somos também? Mas se por cuidado à mulher ele quer abraçar agendas feministas em prol do aborto e ataca a moralidade judaico-cristã como cultura de estupro, então é óbvio que não somos vistos como defensores das causas das mulheres[19].

Reclamamos, é verdade, que não houve bases bíblicas para as posições do autor. Ficaria até melhor se ele não as tivesse dado, pois destilou ignorância exegética quando tentou.

Logo no início o vemos definindo o Evangelho Social como aquele que busca em primeiro lugar o Reino de Deus e, para isso, vale-se de Mateus 6:33. Todavia, qualquer leitor um pouco mais atento observará que essa interpretação que foi feita é delicada. O texto parece referir-se à busca interna do Reino, a uma preocupação individual e não coletiva e externada do Reino de Deus. Não parece ser a busca pelo estabelecimento do Reino de Deus no mundo, mas a busca pelos valores do Reino, pelo anseio do céu, por Deus mesmo.

Na sequência, anunciando as nobres qualidades de seu amado ‘Evangelho Social’, diz que ele é contra a discriminação das mulheres, a consideração de que são inferiores aos homens. Então vem a pérola. Ele diz que em Cristo[20] não há diferença entre homens e mulheres e dá a seguinte base bíblica: Gálatas 3:28. É óbvio que o texto não quer dizer que não há mais nenhuma diferença entre homens e mulheres. A igualdade é sempre relacionada a algum atributo, ou a vários. Mesmo dois entes perfeitamente iguais ainda são dois entes e diferem na matéria (ou material) que os compõem. Aparentemente, esse discurso do autor é inofensivo e poderia ser acatado sem cautela por qualquer leitor. Mas, novamente, temos que observar que as lentes progressistas dele incidem sobre o texto e fazem dessa declaração de igualdade uma consonância às bandeiras feministas. A igualdade do texto é basicamente o fato de que todos são igualmente salvos por Cristo, são igualmente carentes de sua graça. Paulo não elimina as funções distintas que homens e mulheres desempenham, nem as funções de senhor e servo. Marido continua marido, com funções distintas, bem como esposa, patrão, empregado e tudo o mais.

Então, há, finalmente, um texto bem colocado: o de Amós 6:4-6. Embora outros textos fossem tão bons ou mais adequados que esse, eles não foram mencionados. Talvez o texto de Amós 5:11 não fora mencionado justamente por condenar as taxas abusivas, os impostos e isso ser difícil de alguém com tais perícias exegéticas driblar. O grande problema aqui é que progressistas agem como hereges (e talvez não seja coincidência) quando selecionam meias verdades. Houve alguém que fez o mesmo no deserto[21] e não é muito recomendável segui-lo. Em outras palavras, essa é a exposição bíblica do Diabo! Peguem por exemplo os que olham para as Escrituras e destacam apenas a divindade ou a humanidade de Cristo. Embora seja verdade que ele seja homem, se alguém se esquece de sua divindade cometeu um equívoco terrível. O mesmo vale para a situação contrária: esquecer-se de sua humanidade e defender exclusivamente sua divindade. E é assim que procede a teologia dos progressistas, sejam os adeptos do Evangelho Social, seja o pessoal da Missão Integral, sejam os ‘teólogos’ da libertação. Além de re-conotar termos como ‘opressor’, ‘justiça’ e afins, simplesmente furtam-se à menção de textos que evidentemente legitimam a propriedade privada, como o Oitavo Mandamento[22] – texto que não podem alegar não terem visto.

Para continuar nossa crítica bíblica, precisamos informar o que é o movimento designado pelo nome ‘Evangelho Social’, apontar as similaridades do discurso do autor do ES e, então, apontar qual porção da Escritura foi omitida.

Millard J. Erickson define o Evangelho Social assim: “Dentro do liberalismo[23] do final do século XIX e início do século XX, uma tendência a substituir o evangelho da regeneração por uma ênfase na transformação da sociedade por meio da alteração de suas estruturas”[24]. Uma definição curta que já localiza o movimento dentro de um viés herético de perversão do Evangelho. Erickson destaca a substituição do Evangelho da Regeneração e a proposta de alteração da Estrutura da Sociedade. Agora, olhemos as palavras do famigerado autor a quem nos dirigimos: “Entendemos também que a simples realização de “ações sociais” não subvertem [sic.] o sistema, mas sim também a voz profética e ativa da igreja na sociedade que denunciam as injustiças sociais e as estruturas injustas da sociedade e que convida toda a humanidade para a reconciliação dos homens com Deus e com seus irmãos. (2° Carta aos Coríntios 5:18-19)”. A voz profética ou o convite para a reconciliação do homem com Deus envolve quais elementos necessariamente? O típico séquito do Evangelho Social ou Teologia da Libertação só consegue enxergar problemas econômicos, desigualdades sociais e violência. Problemas morais de teor sexual ou mesmo religiosos não parecem nem sequer ser cogitados para entrar na agenda. Mudar as ‘estruturas da sociedade’ é, em outras palavras, alcançar um tipo de sociedade socialista ou comunista. A voz profética não parece anunciar a segunda vinda literal de Cristo. Ela se restringe à denúncia de problemas sociais. Esse é o grande problema.

Um verbete na Enciclopédia, com um texto mais imparcial, um pouco mais longo e com alguma simpatia pelo Evangelho Social, o caracteriza assim: “Viam, na denúncia da injustiça pelos profetas, na vida e nos ensinos de Jesus e na imanência de um Deus de amor na sociedade humana, as sanções para uma ordem humana contrastante. Tal ordem seria realizada no reino de Deus, reino este em que a vontade de Deus seria feita à medida que as vidas humanas expressam Seu amor em todas as esferas de seus relacionamentos e das instituições da sociedade. E porque o homem era essencialmente bom e aperfeiçoável, marcado pelo pecado que era um egoísmo perfeitamente curável, o reino realmente viria”[25]. Aqui está o grande problema, a grande premissa pressuposta e anti-cristã que, junto aos pressupostos naturalistas, pervertem completamente o Evangelho do Reino de Deus. É na porção destaca que entra a acusação de Erickson de que substituem o Evangelho da Regeneração. Esquecem-se que para entrar no Reino de Deus é preciso nascer de novo[26]. O homem não é visto como intrinsecamente pecador e Cristo é visto mais como um libertador político do que um redentor, vicário. O pecado parece mais um produto da sociedade corrupta e, sendo assim, tudo que tem de ser feito é eliminar as causas do pecado: a sociedade capitalista, a propriedade privada, as estruturas patriarcais judaico-cristãs (esse objetivo, claro, é velado). Desnecessário observar que nenhuma tradição cristã, exceto a de Pelágio (e Finney) abraçam tal pressuposto antibíblico de que o homem é bom e que sua redenção está na ação social[27]. A redenção torna-se totalmente imanente e dependente completamente da ação da Igreja. É interpretada de forma completamente distorcida. 

Para ficar clara a deficiência soteriológica do texto do autor do ES, nada mais claro do que a ausência de qualquer referência à pecaminosidade individual. A redenção promovida pela igreja, nas suas palavras, é dirigida às estruturas sociais. Ele quer livrar o homem de um sistema maligno. Suas palavras, para não nos deixar mentir. Ao descrever um pouco mais a missão da igreja segundo o Evangelho Social que ele concebe, diz que é objetivo da igreja “amar a Deus e amar ao próximo e promover a subversão desse sistema diabólico, excludente, assassino e individualista sem qualquer semelhança com a natureza do reino”. Ele até usa o termo ‘evangelismo’. Mas onde está a ideia de que o homem é mau, rebelde contra Deus e carece de Cristo para ser perdoado e da ação do Espírito Santo transformando-o? O aspecto santificador da influência da igreja sobre a sociedade (que tem amplitude muito maiores do que as contidas nas pautas progressistas dele) oblitera a verdadeira missão evangelística da Igreja. Até mesmo quando fala de evangelismo não podemos estar certos de que falamos da mesma coisa.

Aliás, se observarmos que ‘salvação’ como concebida na Bíblia é, especialmente, compreendida em termos escatológicos, salientamos esse outro problema do Evangelho Social. Os doutores Alderi e Adão Carlos notaram que o Evangelho Social “Insistia em conceitos como ‘a implantação do reino de Deus na terra’ e a importância de uma ‘sociedade redimida’”[28] e aqui há um perigo muito grande. No próprio texto do autor do ES notamos uma tímida referência à esperança na parousia[29] aqui: “Esperarmos a volta do Senhor como os crentes de Tessalônica, é não [acho que esse ‘não’ veio sem querer] viver o evangelho de forma completa”. O problema, que foi desembocado explicitamente na Teologia da Libertação, é assumir aspectos tão imanentistas do Reino de Deus que se acaba esquecendo de seus aspectos propriamente escatológicos.

Será mesmo que fomos injustos, mentirosos ou tendenciosos? O que dissemos, exatamente, avisando que seríamos breves, foi que o Evangelho Social foi um movimento que “encarava a missão da igreja como ação social e, com isso, menosprezava o Evangelho. Em outras palavras, a Igreja é quase que uma ONG e o céu não é esperado como algo mais do que uma sociedade aperfeiçoada”[30]. O autor replica que isso não é verdade, mas que seu objetivo era trazer o reino de Deus para a terra. E o que é que o autor entende por ‘instaurar’ o reino de Deus na terra? É, como dissemos, fazer justiça nos termos progressistas, i. e., lutar contra as desigualdades sociais, discriminação racial e de gênero, violência, guerras e escravidão. E o mais surpreendente é que o que o autor considera Reino de Deus, nos termos apresentados, não se difere nada do que qualquer utopista de esquerda esperaria, sendo cristão ou não. Um mundo fantástico, sem discriminação racial ou de gênero, sem violência, guerras ou escravidão, sem desigualdades sociais e (aqui que a coisa complica[31]) com reconhecimento público da legitimidade das relações homossexuais, com homens bonzinhos por todo lado de modo que não farão mais guerras e nem violência – afinal, são somente as posses e o lucro que os movem a isso, e não a pecaminosidade intrínseca do ser humano, dizem eles. É um mundo colorido em que, milagrosamente, a economia geraria as riquezas necessárias para o sustento de todos; em que os homens não seriam maus e, por isso, não haveria crimes; em que as pessoas teriam amplos direitos para práticas pecaminosas a seu bel prazer sem que pudessem ser criticadas por isso. Esse ‘reino na terra’ dos ‘cristãos’ progressistas é tudo, menos o reino de Deus. Embora apresentem alguma característica aqui e acolá, é um reino em que os valores de Deus não são integralizados. Apenas os valores de ‘justiça’ e ‘igualdade’ em conformidade com a cartilha marxista, e não com a cosmovisão bíblica. Para resumir a loucura dessa concepção de reino de Deus podemos tão somente perguntar: “No Reino de Deus na terra os homossexuais se casam, adotam crianças e as criam?”.

É necessário caracterizar o Reino de Deus – além de não ser uma realidade puramente terreal e contar com a volta gloriosa de Jesus Cristo – como uma realidade que não comporta uma série de outros pecados aos quais não ouvimos nenhum progressista dar um pio. “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados[32], nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus” (Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, VI, versos 9 e 10). Se não herdarão o reino devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores, quer dizer que na medida em que o Reino avança e é instaurado na terra temos que lutar contra esses pecados. Correto?[33]

Não pretendemos, aqui, expor toda a doutrina do Reino de Deus. Apenas queremos salientar que a visão do Evangelho Social perde de vista sua consumação escatológica na vinda de Cristo para julgar o mundo, restaurar o cosmos; e a perspectiva moral completa de sua instauração parcial na terra, que inclui submissão a Cristo e à sua vontade em todos os aspectos, não apenas no âmbito econômico (que, aliás, não encontra problema algum no capitalismo em si).

Quanto à instauração do Reino de Deus aqui, sem abrir mão dos valores cristãos e nem das doutrinas singulares e principais do cristianismo, convidamos o autor a considerar o kuyperianismo e a Visão Transformacional[34]. Larga o ‘Evangelho Social’, meu caro, se queres defender essas pautas. A não ser que queira defender única e exclusivamente elas. Mas aí você já não precisará de religião para isso. Detestaríamos que optasse por isso. Prefira simplesmente o Evangelho Puro e Simples. Ele dá conta de tudo isso e de muito mais!

Por último, nessa mesma seção, emite uma frase pra lá de sem noção: “mas prefiro que digam que nossas igrejas estejam virando ONGs do que ouvir que estamos virando vendilhões do evangelho que roubam dos mais pobres em nome de um deus, ou até mesmo que somos um bando de fariseus”. Com quem ele acha que está falando? Evangelho que rouba os mais pobres? Será que ele está falando do dízimo? Ou imagina que somos de alguma igreja neopentecostal? Do contrário, é um gran finale para um texto, novamente, tão ruim.

LEIS ANTI-LGBT’S

Essa parte também é horrível! É lamentável ler e ver tanto equívoco e hipocrisia. Ele quer se defender, no início, de que não está propondo leis pró-LGBT, mas busca justiça e direitos iguais para os homossexuais. Isso, imagina, não é fazer leis em prol da agenda gay, mas leis em prol de todos. Acontece que já há leis para todos. A busca de direitos para os LGBT é por direitos para uma classe especial de pessoas que mantêm determinada conduta, têm determinado modo de vida. A questão é que determinados atos podem ou não deslegitimar alguns direitos. Por exemplo, se estivermos preocupados com as crianças, não diríamos que elas devem ter o direito a serem criadas numa sociedade que demarque os limites do certo e do errado o mais próximo possível do que Deus deseja para o homem? Os impactos sociais na formação da criança são enormes. Imagina se, pior, acharmos que está tudo bem elas serem criadas por um casal homossexual! A questão é saber se tal atitude moral não lhes furtam direitos diante de um ponto de vista cristão. Isso não é tão difícil assim de entender. Pais drogados não são aptos para manter uma criança em suas casas. E se uma cultura particular entende que a criança deve ser criada numa situação de promiscuidade? Ou se entende que por nascerem com determinadas características devem ser mortas? Devemos ‘respeitá-las’? Elas não têm direito de matá-la, ele diria. Mas de acordo com aquela cultura, sim. E aí? Se disser que devemos intervir, nesse caso, não seria o mesmo caso o do aborto?

Aliás, o autor não conseguiu, nem de longe, compreender que se faz política e leis de acordo com um padrão moral, um paradigma, determinado por uma cosmovisão. A questão é que somos legítimos em fazê-lo da perspectiva cristã como outras pessoas o são de acordo com suas visões de mundo. E um cristão, evidentemente, não deve seguir agendas anti-cristãs. Ele nos acusa de ignorância, dizendo que, como conservadores, não conseguimos “fazer uma separação entre assuntos ‘homossexualidade ser pecado ou não’ e ‘direitos de pessoas homossexuais’” quando, na verdade, ele é que não percebe que a identificação de algo como pecaminoso é o mesmo que dizer que algo é imoral e deve ser punido de acordo com suas proporções.

Covardemente, o autor não admite a pecaminosidade do homossexualismo enquanto prática (e não enquanto desejo). Tudo que temos é este discurso nebuloso: “Não entrei no mérito de discutir se uma pessoa homossexual peca ou não, pelo fato de viver sua sexualidade livremente como qualquer outra pessoa heterossexual. As escrituras nos dizem que ‘todos pecaram …’ (Aos Romanos 3:23) portanto é irrelevante o fato LGBT’s estarem ou não em pecado, uma vez que o assunto é ‘direitos iguais e justiça’.” Não entrou no mérito? Ao dizer que Jesus não discriminou homossexuais, mas, antes, incluiu a todos (inclusive eles), não quis dar alguma legitimidade à prática? Nem que seja por entender ser, para Jesus, uma discussão sobre a homossexualidade algo supérfluo ou mesmo banal.

Por que o chamamos de hipócrita e covarde? Ele não tem coragem de assumir, nesse texto popularizado, sua aceitação ao homossexualismo como indiferente ao cristianismo e o esconde por detrás desse discurso de que está apenas falando de direitos ou de que Jesus não discriminava e incluía (coisas que já denunciamos no outro texto). Mas basta olharmos para um texto informativo no mesmo blog e veremos ele reportando, sem o menor sinal de tristeza, a ordenação de um pastor transexual[35]!

Agora, a segunda parte do texto dele que destacamos acima é ainda pior. Ela simplesmente representa uma mente pouquíssimo treinada em lógica – ou um amor tão profundo pela causa defendida que tornou a falácia uma palavra de ordem. Todos pecaram. Portanto é irrelevante se os LGBT’S estão em pecado ou não se o assunto é direitos iguais. De onde é que veio essa conclusão a partir da premissa de que todos pecaram? Primeiro, não percebe que a questão do direito está vinculada a conceitos antropológico-filosóficos e morais. Não nota que a questão moral é que define as leis. Depois, o fato de terem todos pecado não torna a questão de uma ação moral irrelevante. Esse raciocínio é tão estúpido que ficamos por pensar como torná-lo patente a ele sem parecer, nós mesmos, tão estultos quanto. Vamos colocar em passos:

  1. Todos são pecadores.
  2. Estamos falando de direitos.
  3. Logo, não faz diferença se Homossexualismo é pecado ou não.

Perceberam o link? Não? Parabéns, pois não há link algum! O fato de todos terem pecados não legitima a todos pecados ou torna qualquer ação imune ao escrutínio moral. O fato de todos terem pecado nos faz perguntar, evidentemente, ‘quando’ e ‘qual pecado’, por exemplo. Além disso, é de acordo com um padrão de certo e errado que as coisas são criminalizadas ou rechaçadas. Bom... quanto mais explicamos esse ponto mais tolos nos sentimos. Acho que qualquer bom leitor poderá perceber que seu argumento não pode nem mesmo ser considerado assim. Foram um monte de proposições soltas, desconexas.

O argumento, contudo, é repetido na porção que fala sobre Filiação Divina. Ali ele deixa mais clara a sua posição sobre homossexualismo. Tendo feito o dever de casa, percebendo a conotação predominante das Escrituras de que a filiação se refere à dádiva concedida pela justificação pela fé, diz claramente que “Se formos levar ao pé da letra o significado da expressão “filho de Deus” no sentido da doutrina da adoção, não é ao todo errado aplicar o termo para pessoas LGBT’s  já que “Não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus ( Aos Romanos 3:23)[.] Todos nós, sejamos pessoas heterossexuais ou homossexuais, somos justificados tão-somente pela graça de Deus e pela fé que o Espírito Santo em nós opera”. Sim, senhoras e senhores, ele finalmente admite que é possível ser homossexual e filho de Deus. Por quê? Porque todos pecaram. Isso não admite, ainda, que homossexualidade é pecado. Ele pode sair pela tangente e dizer que não falou isso. Realmente não disse. Só disse que o homossexual declarado pode ser crente por ser justificado pela fé. Aqui, embora tenha dado alguma olhada no que dissemos sobre filiação divina e doutrina da adoção, esqueceu de olhar o que é a doutrina da justificação. Ela implica em arrependimento dos pecados e abandono da vida pecaminosa. Então, ao falarmos assim, temos que encurralá-lo para dizer: o homossexual, ao ser justificado, precisa se arrepender da sua homossexualidade? Embora tenha desejado fugir desse ponto, agora ele é inevitável. Para piorar sua situação, podemos trocar alguns elementos e dizer: ‘Não importa dizer se pedófilos/estupradores/homicidas/políticos-corruptos/etc. é pecado. Todos pecaram e carecem da glória de Deus. Todos são justificados mediante a fé’. Diríamos que sim, desde que esses se arrependessem de seus pecados. É isso que ele quis dizer?

FILIAÇÃO DIVINA

Já apontamos a questão de que a admissão da filiação como participação na salvação de homossexuais é um problema no pensamento do autor do ES. Agora, em último lugar, pretendemos lidar propriamente com sua noção sobre o assunto e com seu cacoete ad hoc no uso leviano do termo. Já estamos cansados de apontar o uso irresponsável que o autor faz de termos, de palavras. Se, numa oportunidade, ele usava a estratégica da palavra-gatilho e parecia não perceber as multifacetadas conotações para uma palavra, dessa vez parece incorrer na falácia da equivocação. Ela consiste, basicamente, em usar determinadas expressões em um sentido e, em seguida, usar noutro, criando uma certa confusão.

Antes, para compreendermos a canalhice do movimento argumentativo usado, temos que compreender algumas lições de retórica. No ‘Fédro’, Platão faz uma definição muito apropriada sobre Retórica, que acreditamos não encontrar resistência na maioria dos teóricos da área: em um só fôlego, a retórica seria a adequação do discurso ao ouvinte de modo a comunicar-lhe o melhor possível suas ideias e torna-lo apto à percepção da verdade, rompendo os obstáculos da compreensão. É claro que Platão estava corrigindo o uso inadequado que os sofistas faziam da retórica, que visava somente a persuasão independente da verdade, o que permitia todo tipo de ilusão lógica, semântica, como, por exemplo, a falácia da equivocação. Mais tarde, John Locke, no seu ‘Ensaio sobre o Entendimento Humano’, observa que é má fé usar um termo que, para o público a quem é dirigido, significa algo e, na mente do autor, significa outro. É como usar um falso cognato noutra língua. Não há, de fato, comunicação nesse sentido.

Agora, quando ele usa o termo ‘filhos’, temos que nos perguntar o que quis dizer. Nesse segundo texto, para fugir ao demérito total, ele admite um uso popular. Expressões como ‘todo mundo é filho de Deus’ correspondem a esse uso. Ele basicamente implica em uma consideração especial, filial, de Deus para com o homem. Esse é um mito, uma compreensão equivocada da doutrina bíblica. É claro que ao reivindicar tal filiação, os homens normalmente consideram-se queridos por Deus tal como implica a doutrina da Adoção. Todavia, como já demonstramos, tal filiação é produto exclusivo da fé em Jesus, que implica reconhece-lo como, além de Salvador – e isso inclui noções de pecados individuais e não de estruturas sociais e econômicas que são responsabilizadas pela culpa do indivíduo –, Senhor – o que traz consigo, na admissão de seu senhorio, submissão às suas ordens e vontade. Esse é o sentido óbvio que toda a Escritura não permite ser usado para se referir ao ímpio. Um texto nos Salmos, com linguagem evidentemente poética, não é a admissão de que os homens são filhos nesse sentido, mas em qualquer outro – ou se admite uma contradição no texto bíblico. E um dos sentidos mais óbvios é justamente a filiação no sentido de provirem de Deus como seu criador. A nomenclatura é tão obviamente não normativa que o chamar os juízes de ‘deuses’ também seria completamente inadequado e não se repete sem gerar confusão numa situação cultural tão distinta da que forma o campo semântico dessa expressão. Ou ele acha que pode começar a chamar os juízes de deuses, hoje, sem causar confusão?

Igualmente obscuro é usar ‘filhos de Deus’ para os homossexuais sem querer dar uma conotação de reconhecimento de sua participação na fé e no cuidado especial de Deus. O problema é que é isso mesmo que o autor pensa, mas não teve coragem até agora de admitir explicitamente.

Vale a pena, ainda, observar a contradição do autor ao mencionar um texto do Antigo Testamento, considerando a filiação de todos os homens, quando, o que é inegável, nessa aliança os homossexuais com certeza eram mortos. Ele quer que consideremos os homossexuais praticantes como filhos de Deus, tal como neste Salmo, quando o Salmista jamais poderia fazer essa aplicação por observar o código legal civil dado no Antigo Testamento que condenava com a pena capital os que adotavam alguma prática homossexual. Se a consideração do Salmo implica considerar todos os homens como filhos de Deus, não furta de aplicar-lhes a pena capital. O uso, portanto, ainda que fosse admitido, não lhe teria qualquer valor como argumento de defesa para as causas progressistas.

Não podemos deixar de notar a questão de Mateus 5:9. Com que propriedade ele diz que a conotação para ‘filho de Deus’ não está atrelada à doutrina da Adoção? Ao que parece, nem ‘pacificadores’ e nem ‘filhos de Deus’. Por que podemos afirmar que se trata do cristão ali, e não de qualquer referência genérica à filiação da parte de Deus? Porque os herdeiros do Reino de Deus não são os que acertam num desses pontos, mas erram nos outros. A descrição é das múltiplas qualidades e caráter dos cidadãos celestiais. E isso inclui as bem-aventuranças de ser perseguido por causa de Jesus Cristo (v. 11 e 12). A doutrina paulina pode, muito bem, encontrar aqui subsídios e achamos difícil ver aqui referência a outro conceito de filiação.

Em suma, chamá-los de ‘filhos de Deus’ é inapropriado, gera confusão, foi usado de forma equívoca pelo autor e o próprio uso vétero-testamentário exclusivo do Salmo 82 não abona o uso e os propósitos do autor – antes os contraria.

Para finalizar, o autor não podia deixar de colocar uma recomendação politicamente correta para camuflar seu discurso progressista e anticristão (talvez, aqui, uma hendíade): “Antes de olharmos para alguém para julga-lo por sua raça, cor, religião, orientação sexual, identidade de gênero ou algum outro fator secundário, amemos como Jesus nos ordenou e olhemos para todos como criatura amada de Deus”. Depende muito do que você quer dizer por ‘julgar’. Se amarmos como Jesus nos ensinou, nada mais nobre do que julgar – no sentido de aquilatar, avaliar –, identificar as vidas perdidas no pecado e rebeldes contra Deus e guia-las ao conhecimento salvífico de nosso Salvador. Isso implica em julgar sua religião, orientação sexual, identidade de gênero para ver se coadunam com os padrões divinos e, então, convidá-los a lutarmos juntos contra nossos desejos pecaminosos rumo à gloriosa recepção do Salvador, vindo sobre as nuvens.

[PS: Dessa vez caprichamos nas notas já que, aparentemente, pelo menos elas são lidas por ele].

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Notas:
[1] O motivo das aspas será logo compreendido. O texto resposta se encontra no seguinte link: https://oevangelhosocial.wordpress.com/2016/07/13/resposta-ao-blog-bereianos/
[2] Site que será referido, a partir de agora, pela abreviação E.S.
[3] Ainda no Bereianos, vejam o que isso significa: http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/sobre-os-cristaos-progressistas.html
[4] Ou que se pretendem por tal alcunha, posto que algumas das teses defendidas são francamente opostas ao cristianismo bíblico, só podendo ser sustentadas no sacrifício da integridade exegética ou mesmo na negação de nosso princípio prolegomenal: as Escrituras.
[5] A partir dos 10 minutos deste vídeo explicamos como identificar um canalha que está se passando por argumentador: https://www.youtube.com/watch?v=kfCuWz50_8M
[6] Será que o autor do ES não considera Jesus uma boa imagem quando chamou os fariseus de ‘sepulcros caiados’ (Mateus 23:27), ‘hipócritas’ (e. g.:Mateus 6:2, 5, 16; 15:7; 22:18; o capítulo 23 de Mateus está repleto!), filhos do Diabo e mentirosos (João 8:44) e a Herodes de ‘raposa’ (Lucas 13:32).
[7] Para um vislumbre do que estamos falando, sugerimos a palestra, de Luiz Felipe Pondé, de lançamento do livro ‘Podres de Mimados’, do médico, sociólogo e filósofo político Theodore Dalrymple: https://www.youtube.com/watch?v=SXPdcjpqVZs.
[8] Antes que se pergunte onde é que isso foi dito, basta seguirmos o raciocínio: 1) Ser cristão significa seguir a Cristo; 2) Não se está seguindo a Cristo quando se vota numa das coisas da sua lista (imagina, então, se alguém é contrário a todas!); 3) Logo, não se é cristão tais séquitos dessas ideias.
[9] Falaremos mais sobre essa tal ‘afinidade à figura de Jesus’ quando formos falar sobre ‘Evangelho Social’, doravante.
[10] Recomendamos, fortemente, o livro ‘Controvérsia’, John Newton et. all., que lida com todos esses aspectos e ensina a debater com responsabilidade. É um livro urgente para o evangelicalismo brasileiro e cibernético!
[11] O que até mesmo os pós-milenistas podem concordar quando olhamos para a situação não transformada da cultura.
[12] Crucial para entender essa crítica é ler o seguinte artigo:
http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13133-a-palavra-gatilho.html.

[13] É preciso esclarecer, – por incrível que pareça – dada a argumentação que foi apresentada para defesa dos homossexuais, que quando há referências como essa nas Escrituras, não se está dizendo que os outros homens não são pecadores. A referência é mais no sentido de que tais homens designados por ‘pecadores’ são explicita, deliberada e permanentemente rebeldes contra Deus. São pessoas que viviam publicamente na prática de algum pecado. Uma prostituta, por exemplo, se encaixa nessa descrição. Seu modo de vida, em si, é pecaminoso.
[14] Não que a cosmovisão que prevalecer seja a que tenha apresentado os melhores argumentos. Pode ser a que fez melhor sua propaganda (e, na verdade, é o que imaginamos que acontece).
[15] Na pior, ele é simplesmente um herege.
[16] Quem quiser ver uma bela exposição a esse respeito, veja: https://www.youtube.com/watch?v=B7ZleIpuF_E.
[17] Nada mais direto ao ponto do que esse vídeo de Dalrymple: https://www.youtube.com/watch?v=h0WizTNE3d8.
[18] Por mais estranho que pareça ao leitor, não percam o rumo quando virem cristãos defendendo a divulgação da cultura africana e suas religiões. Só mesmo cristãos progressistas para pensarem nalgo assim. E o pior é que lerão tal nota com orgulho. Lamentável!
[19] Aqui é preciso, no meio de tanta baboseira, observar que Cristo não disse que não há diferenças entre homens e mulheres em todas as situações. Mas retomaremos a esse ponto quando formos analisar suas bases bíblicas.
[20] Já observamos, incontestes, que a ética de Cristo não é superior à ética bíblica precedente (do Antigo Testamento), já que se trata da mesma ética. Mas o argumento apresentado dá a entender justamente isso: que agora, em Cristo, não há mais diferença entre homens e mulheres. Então antes havia? Com aval divino?
[21] Mateus 4:1-11, principalmente os versos 5-7.
[22] Quando o texto diz: ‘não furtarás’, então admite haver propriedade privada, algo que é de outra pessoa e que não podemos lhe subtrair.
[23] E aqui não estamos falando do ‘liberalismo econômico’, e sim do Liberalismo Teológico que, basicamente, defende uma interpretação naturalista das Escrituras, negando seus aspectos sobrenaturais. Liberais negam, portanto, todos os milagres, inclusive a encarnação, ressurreição e volta literal de Jesus.
[24] ERICKSON, Millard J. Dicionário Popular de Teologia. Tradução de Emirson Justino. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 73. Vejam que é um dicionário POPULAR. Uma busca simples já o teria feito repensar a conceituação. Ou então está escondendo, por esse discurso, seu viés liberal.
[25] MAGNUSON, N. A. Evangelho Social, p. 113-114. In _ Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova. v. II, 1990, 600p. Itálico Nosso.
[26] João 3:3-8.
[27] Para que o autor não nos interprete mal novamente, estamos usando ‘ação social’ como todo tipo de ação política.
[28] O Que Todo Presbiteriano Inteligente Precisa Saber p. 192.
[29] O termo técnico, do grego, para a segunda vinda de Jesus.
[30] Cf. o primeiro texto: http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/desfazendo-alguns-discursos.html
[31] Vale lembrar que os textos dos meus colegas, como anunciado na nota 2 da nossa primeira resposta, lidarão e esclarecerão os pontos abordados como a questão econômica e social arrogadas como apanágio do Evangelho Social.
[32] Cf. o texto que nosso amigo Orlandi fez no próprio Bereianos:
http://bereianos.blogspot.com.br/2016/07/malakoi-e-o-debate-neto-x-feliciano.html

[33] É claro que os Teonomistas diriam ‘sim’. Não queremos entrar nos méritos. Só queremos levar as afirmações do contendedor às últimas consequências e mostrar sua gritante contradição.
[34] Para inteirar-se sobre o assunto, recomendamos fortemente esta magnífica palestra do dr. Héber Jr.: https://www.youtube.com/watch?v=FX4dv8AHLB0. Vale ressaltar que a noção de Reino na Terra está também presente no Pós-Milenismo e o mesmo desconsidera as críticas finais do dr. Héber à instauração parcial do reino na terra. O termo correto seria a instauração do milênio, a partir da perspectiva pós-milenista.
[35] Para quem quiser ver essa aberração de artigo:
https://oevangelhosocial.wordpress.com/2015/08/12/conheca-o-primeiro-pastor-transgenero-ordenado-pela-igreja-evangelica-luterana-na-america/


***
Autor: Lucio Antônio de Oliveira
Divulgação: Bereianos

Leia também: 
Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 1)
Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 2)
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