Quem deve pregar na igreja?

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Dia desses estava vendo uma postagem de um colega e ex-companheiro de sala de aula do seminário. No referido post, ele tratava sobre a questão de quem deveria assumir o púlpito da igreja para a pregação. Ele defendia a posição esboçada nos símbolos de fé de Westminster, e o foco dele era quanto a impossibilidade das mulheres pregarem. Infelizmente meu querido colega foi acusado de fundamentalista e até judaizante, e o pior de tudo é que não foi por pessoas leigas ou de outras denominações, mas sim, por pastores presbiterianos. Os argumentos usados contra o post foram todos baseados na experiência pessoal e não na Escritura Sagrada. Confesso que isso me deixou muito triste e indignado, me encorajando então a escrever este breve post.


A minha intenção aqui será analisar o texto da primeira carta de Paulo a Timóteo no capítulo 2 verso 12 e o que o Catecismo Maior de Westminster diz em sua pergunta 158. Comecemos pelo Catecismo que nos fala o seguinte:

Por quem a Palavra de Deus deve ser pregada?
Resposta: A Palavra de Deus deve ser pregada somente por aqueles que têm dons suficientes, e são devidamente aprovados e chamados para o ministério. (WESTMINSTER, 2007).

O entendimento natural do texto do Catecismo é de que só podem pregar a Palavra de Deus aqueles que foram devidamente chamados ao ministério e que estes devem ser preparados para tal. Uma distinção que deve ser feita aqui é que a pregação que o Catecismo se refere é aquela que é feita na igreja local de forma oficial. Aqueles que não são ordenados ou licenciados podem em ocasiões especificas e supervisionados pelo ministro e o conselho da igreja pregar na congregação.

Entendemos também que todo crente é chamado para pregar o evangelho de forma geral atendendo a ordem do nosso Senhor na grande comissão, quanto a este assunto o Rev. Paulo Anglada em seu livro “Introdução a Pregação Reformada” nos diz que:

Isto não significa que os crentes de modo geral não possam evangelizar e testemunhar da esperança que neles há, individual e informalmente. É dever de todo crente estar preparado para explicar as razões de sua fé (1 Pe 3:15). Também não significa que não possam instruir-se, aconselhar-se, exortar-se, encorajar-se e confortar-se mutuamente. (ANGLADA, p. 87).

Ainda tratando deste assunto o grande teólogo Charles Spurgeon em seu opúsculo “O Chamado Para o Ministério” afirma que:

Todo cristão capaz de disseminar o evangelho tem direito de fazê-lo. Ainda mais, não só tem direito, mas é seu dever fazê-lo enquanto viver. (Ap. 22:17). A propagação do evangelho foi entregue, não a uns poucos, mas a todos os discípulos do Senhor Jesus Cristo. (SPURGEON, p. 01).

Devemos entender que existe uma clara distinção entre pregar a Palavra de Deus oficialmente na congregação e a nossa obrigação de pregar o Evangelho a toda criatura.

A pregação oficial da igreja deve ser feita somente por homens que foram chamados e capacitados para essa sublime tarefa. Gostaria de colocar aqui o comentário do teólogo Geerhardus Vos ao Catecismo Maior de Westminster que nos ajuda no entendimento da pergunta do Catecismo, ele afirma o seguinte:

Claro está que a pregação da Palavra é uma obra de importância muito grande. São necessárias as qualificações apropriadas para que seja feita da maneira adequada. Há qualificações espirituais, intelectuais e educacionais sobre as quais se deve insistir para que a igreja tenha um ministério adequado... um homem incapaz de pensar corretamente, incapaz de detectar a falácia de um argumento perverso, é passível de ser ele mesmo desviado por um falso ensinamento e, por sua vez, capaz de desviar outros. Um homem a quem falta educação geral e teológica normalmente não será capaz de fazer justiça a grande obra de pregação da Palavra de Deus e correrá o perigo de pregar uma mensagem desequilibrada ou parcial. Quando Deus chama um homem para a obra do ministério, também o aparelha com as habilidades e qualificações necessárias para que possa realizar a obra adequadamente. (VOS, p. 508-509).

Devemos deixar claro também que existem casos em que Deus pode chamar homens que não tenham um nível escolar alto ou até mesmo nenhum tipo de educação formal. A própria Escritura nos mostra que alguns discípulos de Cristo não tiveram instrução formal mas foram chamados ao ministério. Tratando deste assunto, Geerhardus Vos nos auxilia mais uma vez no seu comentário do Catecismo quando diz:

Eles, no entanto, gozaram da inestimável vantagem de passarem três anos na companhia de Jesus sob a sua instrução pessoal. Deus as vezes chama para o oficio ministerial um homem com pouca ou nenhuma educação formal e nesses casos excepcionais, onde está evidente a chamada divina, a igreja não deve hesitar em ordenar o candidato. (VOS, p. 508).

Apesar de Deus chamar alguns que não são dotados de educação formal, o próprio Vos nos diz que “não se deve permitir que a exceção torne-se regra”.

Mas fica ainda a questão das mulheres, afinal elas podem ou não pregar na igreja? Creio que tanto as Escrituras como o Catecismo Maior de Westminster deixam claro que as mulheres não devem pregar na congregação, nem mesmo em ocasiões especificas. O grande princípio por trás destas afirmações é a idéia do chamado. O ensino das Escrituras demonstram que o chamado para o ministério é exclusivamente masculino. Gostaria de citar mais uma vez o Rev. Paulo Anglada que afirma:

O requisito fundamental para o pregador, na concepção reformada, é a comissão. A pregação pública do evangelho é tarefa primordial dos ministros da Palavra, isto é, de homens chamados por Deus, reconhecidos como tais pela igreja, e ordenados por imposição de mãos de um presbitério para o oficio. (ANGLADA, p. 86).

Charles Spurgeon mais uma vez nos ajuda quando diz:

Todavia, o nosso serviço não assume necessariamente a forma particular de pregação. Seguramente, em alguns casos é preciso que não, como por exemplo no caso das mulheres, cujo o ensino público é expressamente proibido: 1 Tm. 2:12; 1 Co. 14:34. (SPURGEON, p.01).

As mulheres não podem assumir a pregação em nossas igrejas não é por falta de capacidade intelectual ou alguma deficiência que as possam impedir, mas por um princípio bíblico, a mulher não foi chamada para o ministério. João Calvino em seu “Comentário das cartas Pastorais”, especificamente o texto da primeira carta a Timóteo no capítulo 2 verso 12, nos diz como se segue:

Paulo não está falando das mulheres em seu dever de instruir sua família; está apenas excluindo-as do oficio do sacro magistério, o qual Deus confiou exclusivamente aos homens... se alguém desafiar esta disposição, citando o caso de Débora (Jz. 4.4) e outras mulheres sobre quem lemos que Deus, em determinado tempo, as designou para governar o povo, a resposta óbvia é que os atos extraordinários de Deus não anulam as regras ordinárias, as quais Ele quer que nos sujeitemos... a razão por que as mulheres são impedidas consiste em que tal coisa não é compatível com o seu status, que é serem elas submissas aos homens, quando a função de ensinar subentende autoridade e status superior. (CALVINO, p. 70-71).

Ainda quanto a este tema o grande comentarista bíblico William Hendriksen comentando o mesmo texto de 1º Timóteo supracitado afirma o seguinte:

Embora estas palavras possam soar como pouco amistosas, na verdade são precisamente o oposto. Aliás, expressam o sentimento de terna simpatia e de compreensão básica. Significam que a mulher não deve entrar na esfera de atividade para a qual a força de sua própria criação não é apta. Que a ave não tente viver debaixo d’água. Que o peixe não tente viver em terra seca. Que a mulher não queira exercer autoridade sobre o homem, instruindo-o nos cultos públicos. Por amor a ela e para o bem-estar espiritual da igreja, proíbe-se esta pecaminosa intromissão na autoridade divina. (HENDRIKSEN, p. 139-140).

Apesar de alguns tentarem distorcer ou ignorar o texto bíblico e dos símbolos de fé de Westminster, percebemos que estes são claros em afirmar que só quem pode assumir o púlpito das nossas igrejas são homens devidamente chamados para o ministério. Em determinados casos homens que ainda não estejam ordenados podem pregar publicamente a Palavra de Deus tutelados pelo ministro e pelo conselho da igreja. Deixo claro que não há aqui nenhum entendimento de que as mulheres não são capazes para tal, ou que elas não têm importância na igreja, mas sim, que elas não foram chamadas para o ministério da Palavra. As mulheres sempre tiveram um papel importante na igreja do Senhor e ainda o tem. Mas a pregação oficial do evangelho foi reservada aos homens que foram chamados para tal.

Tenho visto que muitos ministros em busca de tentar contextualizar as suas congregações acabam caindo no velho erro do pragmatismo e acabam por mundanizar a igreja local. Nós não devemos ser guiados pelos paradigmas da sociedade, nem por nossas experiências pessoais, antes pela única regra de fé e prática da verdadeira igreja cristã, as Escrituras Sagradas.

Soli Deo Glória!!

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Autor: Rev. Anderson Borges
Fonte: Teologia que Reforma
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4 comentários

Creio que o motivo de muitas mulheres ainda brigarem esse tema é bem simples: falta de submissão à Palavra de Deus!
Eu sou estudante de Teologia, e quando fui examinada pelo Conselho da igreja local que frequento há 20 anos a primeira pergunta que me fizeram era sobre a minha intensão de cursar Teologia. E minha resposta foi: quero servir melhor à Deus e a meus irmãos com o dom que Ele mesmo me deu(o do ensino). Mas nunca precisei pregar no púlpito pra exercer esse dom! Sou feliz fazendo aquilo que Deus me deu como talento e tenho sido muito usada dentro desse chamado, dentro da submissão à Palavra! Por isso creio que esse texto é bem esclarecedor e em maneira nenhuma ofende às mulheres! Deus te abençoe irmão.

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Sua experiência é muito interessante... Creio que vc citou a palavra chave: submissão. Quando há submissão a palavra de DEUS as coisas caminham naturalmente e abençoadoras... Que Deus a abençoe!

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Me sinto muito confusa em relação ao assunto. Nasci em um lar cristão, me casei e continuo na mesma igreja (Assembléia de Deus). Altimamente, lendo alguns artigos, vejo o quato de ensinamento bíblico por parte da igreja, me faltou. Amo a igreja a qual pertenço, amo os irmãos, mas sinto que preciso de mais, quero conhecer mais. E em relação a esse assunto que é pra ser tão simples, me deixa confusa. As vezes, não é insubmissão (como a irmã acima mencionou ) mas apenas falta de conhecimento, uma herança cultural que trazemos conosco e nesse caso, criticar ou escarnecer (por favor, não é o caso da irmã acima. Pelo contrário) só piora as cousas. O que realmente precisamos é de esclarecimento.

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