A teologia de Santo Agostinho

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Por Francisco Alison Silva Aquino


Agostinho é considerado um dos maiores teólogos da história da igreja, desde os tempos pós-apostólicos até os dias de hoje. Historiadores como Adolf Von Harnack, por exemplo, diriam que Agostinho é o maior vulto da igreja entre o apóstolo Paulo e o reformador Martinho Lutero. Sua contribuição para o pensamento cristão é sem dúvida muito rica, uma vez que ele tratou de vários temas bíblicos, assim como de debates a respeito dos mais controversos assuntos teológicos. Nesse sentido, vejamos algumas contribuições deste grande mestre do período patrístico.

No que diz respeito às obras de Agostinho de Hipona, algumas merecem destaque tais como: Confissões (397), Da graça e do livre arbítrio (426-427), Da trindade (c. 399- c. 419) e a Cidade de Deus. Seus escritos tiveram grande impacto na construção do pensamento cristão em toda a história da igreja. É praticamente impossível estudar o pensamento de determinado teólogo sem ver ali traços do pensamento de Agostinho.

Agostinho se preocupou em defender alguns pontos teológicos muito importantes para a teologia cristã, tais como a trindade e a doutrina da predestinação.

Ele esteve meditando no problema da trindade durante toda a sua vida cristã. É importante destacar que ele aceitava a verdade de que só existe um Deus e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são ao mesmo tempo distintos e coessenciais, e numericamente um em substância. Embora ele não tentasse provar essas verdades, ainda assim ele cria que a escritura as ensinava quase a cada página. 

Kelly nos mostra algo muito interessante a respeito da ideia de processão do Espírito e a geração do filho. Ele diz:

“Agostinho sempre encontrou dificuldade para explicar o que era a processão do Espírito ou em que ela difere da geração do filho. Ele estava certo, no entanto, de que o Espírito é o amor mútuo do pai e do filho (communem que invicem se diligunt pater et filius caritatem), o vínculo consubstancial que Os une. Seu ensino constante foi, portanto, de que ele é o Espírito tanto de um como de outro; em sua maneira de se expressar, o Espírito Santo não é o Espírito de um deles, mas de ambos.” (KELLY, 1994, p. 208).

Nesse sentido, Agostinho cria que o Pai e o Filho formam um princípio único em relação ao Espírito Santo. Por isto Agostinho ensinou a doutrina da dupla processão do Espírito a partir do Pai e do Filho (filioque) mais inequivocamente do que qualquer um dos pais ocidentais que vieram antes deles.

Muitas outras considerações a respeito da doutrina da trindade desenvolvida por Agostinho poderiam ser exploradas aqui, porém o que já foi dito é o bastante para comprovar que este grande teólogo defendeu esta verdade maravilhosa com tanto afinco. No entanto, Agostinho é mais lembrado por suas controvérsias com Pelágio acerca da doutrina da depravação humana.

A controvérsia inicia com uma afirmação na obra “Confissões” de Agostinho que provocara Pelágio. Agostinho dissera: “Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes”. Esta oração reconhecia a necessidade que o homem tem da graça soberana. Agostinho entendia que Deus faria no homem o que requer dele. Pelágio simplesmente não podia aceitar isso. Para ele, uma ordem divina implica na capacidade humana de obedecê-la.

Sobre esta controvérsia, Lawson afirma:

“Este foi o cerne da disputa entre Agostinho e Pelágio. Agostinho ensinava que o homem, na queda de Adão, perdeu toda a capacidade de obedecer a Deus. Por causa do pecado original, os seres humanos não podem realizar o que Deus requer. Pelágio, confiando na razão humana, mais que na revelação divina, concluiu que a responsabilidade necessita de capacidade. A despeito do ensino da escritura, ele insistia sobre a capacidade natural do homem caído em guardar a lei de Deus. As principais facetas do ensino de Pelágio consistiam num exaltado conceito da responsabilidade humana e o conceito deficitário da soberania divina.” (LAWSON, 2013, p. 289)

Assim sendo, Agostinho trouxe uma compreensão mais aprofundada a respeito da doutrina da depravação do homem. Enquanto muitos negavam o estado de miserabilidade do homem no pecado, Agostinho defendia que cada ser humano nasce em pecado (Sl 51.5) e que a menos que Deus intervenha com sua graça soberana ninguém pode ser salvo.

Por fim, este mestre do pensamento cristão é referência para todos os teólogos posteriores a ele, de modo que é impossível ler o pensamento de outros grandes vultos do pensamento cristão sem enxergar as tonalidades agostinianas nos escritos destes mestres.

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Referências:
KELLY, J.N.D. Patrística: Origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 1994.
LAWSON, Steve. Pilares da graça: Longa linha de vultos piedosos. São José dos Campos: Fiel, 2013.

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Divulgação: Bereianos 
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