Uma crônica sobre minha vontade

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Por: Daniel Clós Cesar

Recentemente mudei de cidade, e como qualquer (alguns) cristão faria, estou visitando algumas congregações cristãs. Talvez, apenas talvez, fosse mais fácil se existisse uma congregação da mesma denominação que eu já freqüentava na minha antiga cidade... talvez, mas apenas talvez fosse mais fácil.

A questão obviamente não é a tal da facilidade. Fosse este o motivo já estava definido. Há menos de 50 metros da minha nova casa há uma congregação cristã. Com um pastor, homens e mulheres tementes a Deus.

Nessas igrejas que tenho visitado, vi de quase tudo um pouco. Só não vi uma coisa: calvinistas.

Há não! Lá vem falar de calvinismo de novo?!?!?! não cansou não???

Não, não... Calma... não vou falar disso não... vou falar de Evangelho mesmo... sem Calvino, sem Spurgeon... segundo alguns, nem sei quem foi Calvino... mas vou citar Deus em algum momento do texto. Usarei a terceira pessoa do singular para indicá-lo. Espero que não te percas enquanto lês.

Em todas as igrejas que visitei, assim como a que freqüentava na minha antiga cidade. A pregação, ou, veredas secundárias que levam a pregação "tema: Salvação", indicam invariavelmente a vontade do homem como ponto de chegada.

Não sei se isso é ser arminiano... Sinceramente, a maioria dos cristãos pós-modernos do século XXI nem sabe o que calvinismo ou arminianismo... entendo isso como um visão entre essas duas coisas... um pouco perdida entre essas duas visões para ser sincero.

Mais ou menos assim... corrijam-me se eu estiver errado:

"Jesus te ama. Ele morreu por ti. Ele tem um GRANDE projeto para tua vida. Ele tem "sonhos" maiores que os teus para você. Ele quer mudar a sua vida. Ele quer mudar a tua atual situação. Ele quer te curar. Quer resgatar tudo o que você perdeu. Te dar em dobro tudo o que satanás um dia tomou de ti. BASTA, você aceitá-lo."

Se faltou alguma coisa, por favor, postem nos comentários. Apesar da minha certa "alta-medida" de intolerância fundamentalista, aos poucos estou sendo moldado e tornando-me mais receptivo... receptivo, não tolerante.

Voltando...

Como me criei ouvindo isso, e até, crendo ser esta uma verdade (ainda que ela não seja de todo mentira). Sempre entendi "isso" como apelo de Salvação.

Mas aí, sei lá... em algum momento, talvez lendo a Bíblia, certamente, não que eu lembre, não foi em nenhuma visão ou revelação de sonho... tenho certeza que foi lendo a Bíblia... entendi de outra forma... uma que eliminava o "BASTA" da história. Percebi, talvez por que fosse tarde da noite ou muito cedo... não lembro... que não "bastava" apenas aceitá-lo.

Eu precisava SER aceito.

Devo ter entrado em depressão.. ou algo parecido. Afinal, o que eu poderia fazer para ser aceito. Sério, pensa comigo... o que você pode fazer para ser aceito por Deus? Cristo fazia a vontade de Deus de dia e de noite... eu não consigo nem compreender qual a vontade Dele para esta noite... como Ele poderia ter algum prazer em mim? sério, pensa friamente... só uma vez... não dói. Eu garanto.

Talvez fosse melhor ficar com a fórmula com o "BASTA" aceitá-lo. Mas não dava mais para voltar atrás. Acho que é o que acontece quando você escolhe tomar a pílula vermelha. Você enfim é desligado daquelas máquinas que te deixam vivo numa realidade em que você está no controle. (Tá, quem não viu Matrix não vai entender essa metáfora. Manda um e-mail que eu explico ou assisti o filme)

E... algum tempo atrás, muito tempo atrás para ser sincero, pensei... foi quase um devaneio... teria eu perdido minha vontade própria?

Olhando para mim... para minha condição de "salvo", "santo", "redimido", "lavado" e tudo mais... vi todo tipo de pecado, todo tipo de ferida em pús e de ilusões produzidas pela carne na minha mente. Percebi, imediatamente após essa visão dantesca da minha justiça em frangalhos, que eu ainda tinha vontade própria. Essa era minha vontade própria. Vontade de pecar, mexer nas feridas (quem sabe até as provar) e viver das ilusões e fantasias do meu coração. A mais desesperadamente corrupta parte do meu ser.

No entanto, percebi também, agora não olhando mais para mim, mas para ELE (a 3ª pessoa do singular), ainda existir esperança para o vermezinho... o bichinho de Jacó.

Independente da minha vontade contrária a tudo que pode ser chamado de santo. Meus pecados são perdoados, minhas feridas são saradas e minha mente é transformada. Num trabalho que só alguém que começou uma boa e perfeita obra pode concluir. Não é trabalho de homem... mas de alguém que fez o Universo com o poder de Sua Palavra.

Uma pena realmente... eu ainda não ter perdido totalmente a minha "vontade própria". Sinceramente... lamentável.

Deus vos abençõe.

Soli Deo gloria
______________________________
Daniel Clós Cesar
daniel.clos@gmail.com

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1 comentários:

Não sou do tipo que entra em discussões calvinistas, mas acredito ter entendido seu texto, e gostei. :p

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