Parei de ouvir música "cristã".

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Parei de ouvir música cristã

Há dois anos escrevi neste espaço que lamento o estado da música cristã. Percebi agora que simplesmente parei de ouvi-la. Acabo de verificar o que tenho armazenado no WMP. Não há nada de “música cristã”, a não ser as gravações de cinco artistas que mal cabem no gênero: John Coltrane, Sufjan Stevens, U2, Leigh Nash e a extinta Sixpence None the Richer. Parei de comprar CD’s do gênero após acumular uma longa lista de decepções.

Cabe aqui uma definição. Por “música cristã”, me refiro à categoria criada pelas gravadoras que produzem música popular para consumo pelo público “gospel”. “Música cristã” não é bem um gênero musical, pois o que existe é um mix retalhado de músicas que emprestam de gêneros legítimos.

Não incluo na minha definição a música usada na igreja para o louvor coletivo. Música de canto congregacional independe de padrões musicais usados na avaliação de desempenho performático e na análise crítica da letra como poesia. O gênero conhecido como worship music tem como foco direcionar a atenção para as virtudes e as promessas de Deus, de forma que a qualidade de música em si passa a ser menos importante que seu aspecto pragmático no culto de adoração.

Neste gênero específico, os critérios de avaliação resumem-se à (1) ortodoxia teológica da letra, (2) capacidade de envolver a participação da congregação e (3) qualidade técnica da execução pelo ministro de louvor, pelos instrumentistas e pelo backing vocal. Ou seja, worship music tem muito mais a ver com worship do que com music. Não minimizo a importância deste gênero, pois a própria Bíblia valoriza o louvor coletivo.

Meu lamento, então, reflete apenas a paupérie artística de muita música produzida para consumo cristão fora da igreja. É como se a indústria cristã tivesse determinado que o que vale é o conteúdo da letra: desde que ela contenha certos chavões, frases ou narrativas evangelísticas — além de um estilo bacana apreciado pelo mercado alvo —, é desnecessária a busca da verdadeira expressão artística. Basta o “suficiente”. Acaba tendo mais em comum com propaganda que com arte. Para fazer um jingle, não precisa chamar Caetano. Qualquer Emmerson Nogueira serve.

Percebo que há muita gente talentosa nas bandas das igrejas, pessoas realmente apaixonadas pela música e dispostas a sacrificarem para melhorar. Mas muitos são vencidos pela baixa expectativa da maioria, pelo padrão acomodativo e pelo ambiente em que o verdadeiramente excelente é visto com desconfiança. O desafio para aqueles músicos que realmente desejam a arte é aprenderem a fazer benchmarking pessoal com os melhores, e colocarem o seu talento a serviço do reino de Deus, e não apenas a serviço das gravadoras evangélicas.

Isto não significa que já não existam cristãos fazendo boa música. Mas, por ironia, usualmente os músicos que levam a sério tanto seu cristianismo quanto a qualidade musical são aqueles que rejeitam o rótulo “música cristã” para assim distanciarem-se da média medíocre. São esses que revitalizam na música o espírito criativo, que reflete a beleza e a verdade de Deus.

Parei de ouvir música cristã e comecei a buscar mais a boa música, inclusive aquela composta e executada por cristãos.

Mark Carpenter, na revista Ultimato. Via Pavablog
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3 comentários

Ruy,

Começo questionando a divisão de música cristã e música profana. Para mim existe música. Música boa e música ruim. Atualmente, bem mais música ruim do que boa.

A chamada música gospel padece de má qualidade, mas não é um mal exclusivemente dela e nem é o pior de seus males. A pobreza de conteúdo e a imprecisão doutrinária é trágico.

Anda não parei de ouvir música cristã. Mas de dez música que ouço, uma é "gospel". E mesmo assim de cantores que não estão "no auge".

Em Cristo,

Clóvis

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tambem nao costumo mais escutar musica gospel
escuto uns cds que copiei do vinil
do tempo em que apedrejavam os crentes em praças publicas quando louvavam
o sangue descia das pedradas mas pecadores vinham arrependidosao altar



quem quiser passo o link e as copias

crsmedeiros@hotmail.com

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Romulo A. Pereira mod

Sinceramente, achei muito prejudicial a atitude do Mark Capenter. Para ele e para a própria "música cristã". Se a música cristã não está lá essas coisas, busque, corra atrás e vai encontrar música boa. Convenhamos, poderíamos dizer a mesma coisa da música secular, com seus funks, axés, sertanejos, etc.
Mas procurando você sempre encontrará movimentos contrários à baixa qualidade e precisamos dar força a eles, escutando, mostrando a outros, etc. Deixar a música cristã para ir ouvir outras... repito, é ruim pra ele e para a música cristã. Me parece alguém abandonando um barco em que alguns tentam tapar os buracos e vai para o barco de outros que não querem nem saber. Imagine se todos tomassem a atitude dele??? Iria incentivar a música secular e prejudicar a música cristã. Mas se todos passassem a ouvir as boas bandas cristãs, aí a coisa mudaria.

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